O relógio começou a correr para as bets. O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) uma mudança que atinge diretamente as plataformas de apostas online, seus usuários, anunciantes e patrocinadores.
A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva determina o fim da operação das plataformas e estabelece um calendário para o bloqueio de sites e aplicativos.
Para quem tem dinheiro em uma bet, há uma data que passa a ser decisiva: 5 de outubro.
Até as 23h59 desse dia, os apostadores poderão solicitar a retirada dos valores mantidos nas plataformas autorizadas. Depois, a partir da meia-noite de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão ser bloqueados.
O dinheiro não desaparece — mas o caminho muda
O fim do acesso às plataformas não significa, segundo o governo, que o saldo dos usuários será simplesmente perdido.
Quem não conseguir fazer o saque dentro do prazo terá os valores devolvidos posteriormente por meio das instituições financeiras envolvidas na operação.
A previsão oficial é que essa devolução ocorra entre 9 e 14 de outubro.
A partir de 14 de outubro, a Caixa Econômica Federal deverá assumir a intermediação dos casos em que houver algum impedimento para a restituição.
A contagem regressiva
O cronograma anunciado pelo governo é direto:
5 de outubro: último dia para o apostador retirar diretamente o dinheiro da plataforma.
6 de outubro: sites e aplicativos começam a ser bloqueados.
7 e 8 de outubro: as empresas informam aos bancos os valores associados aos CPFs dos usuários.
9 a 14 de outubro: previsão para devolução dos recursos pelas instituições financeiras.
14 de outubro em diante: a Caixa passa a intermediar situações que não tenham sido solucionadas.
Quem deixar para depois poderá encontrar um processo diferente daquele que existia até então.
E o “jogo do tigrinho”?
Jogos virtuais e modalidades como o popular “jogo do tigrinho” também entram no alcance da ofensiva anunciada pelo governo.
A medida faz parte de uma iniciativa mais ampla contra as apostas online e ocorre em meio à crescente preocupação oficial com o impacto dessas plataformas sobre o orçamento das famílias.
Adeus aos anúncios?
Outra frente da medida atinge diretamente a publicidade.
A partir da publicação da MP, novas ações publicitárias das casas de apostas ficam proibidas. As empresas terão até o fim do dia 5 de outubro para retirar campanhas, anúncios e ações de marketing.
Também deverão ser removidas marcas relacionadas a contratos de patrocínio.
É uma mudança que ultrapassa as telas dos celulares e chega aos estádios.
O futebol também entra na turbulência
Os clubes brasileiros estão entre os setores que podem sentir os efeitos da decisão.
Segundo os dados apresentados pelo governo, as bets desembolsaram R$ 1,1 bilhão em 2025 para patrocinar os principais clubes do país. O montante equivaleria a 36% das receitas de marketing dessas equipes.
Com a saída das empresas de apostas, contratos de patrocínio e exposição de marcas entram em uma nova fase.
Por que o governo decidiu agir?
O governo afirma que as medidas fazem parte de uma ofensiva contra o endividamento das famílias.
O assunto ganhou espaço no discurso de Lula nos últimos dias. O presidente passou a criticar publicamente o crescimento das apostas e afirmou que as plataformas transformam o vício em fonte de lucro.
O tema também ganhou força durante a reta final das eleições.
O tamanho da aposta
Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), divulgado em agosto, calculou que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025.
O levantamento estima ainda uma saída líquida média de R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026.
O estudo relaciona o avanço das apostas à pressão sobre o orçamento doméstico em um período de juros elevados e dificuldades para pagar contas.
O setor contesta
As empresas não aceitam integralmente essa interpretação.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, contestou os dados do estudo do Comsefaz. A entidade afirma que existem problemas na análise e que fatores macroeconômicos relacionados ao crescimento do uso do Pix não foram devidamente considerados.
Agora, o que o apostador precisa fazer?
Para quem mantém saldo em uma plataforma autorizada, o ponto central é acompanhar o prazo.
Até 5 de outubro, a orientação anunciada pelo governo é solicitar diretamente o saque do dinheiro.
Depois disso, o acesso às plataformas será bloqueado e a recuperação dos valores seguirá outro caminho, envolvendo bancos e, em determinadas situações, a Caixa Econômica Federal.
Ao mesmo tempo, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei que prevê punições para quem explorar, operar ou divulgar as plataformas.
O mercado das bets, portanto, entra