RADICAL

Bets em contagem regressiva: Dinheiro tem prazo para ser retirado

Por Da redação/Pira1 |
| Tempo de leitura: 4 min
Raphael Nascimento/MS
A medida foi anunciada nesta sexta-feira.
A medida foi anunciada nesta sexta-feira.

   O relógio começou a correr para as bets. O governo federal anunciou nesta sexta-feira (25) uma mudança que atinge diretamente as plataformas de apostas online, seus usuários, anunciantes e patrocinadores.

 A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva determina o fim da operação das plataformas e estabelece um calendário para o bloqueio de sites e aplicativos.

Para quem tem dinheiro em uma bet, há uma data que passa a ser decisiva: 5 de outubro.

Até as 23h59 desse dia, os apostadores poderão solicitar a retirada dos valores mantidos nas plataformas autorizadas. Depois, a partir da meia-noite de 6 de outubro, os sites e aplicativos deverão ser bloqueados.

O dinheiro não desaparece — mas o caminho muda

O fim do acesso às plataformas não significa, segundo o governo, que o saldo dos usuários será simplesmente perdido.

Quem não conseguir fazer o saque dentro do prazo terá os valores devolvidos posteriormente por meio das instituições financeiras envolvidas na operação.

A previsão oficial é que essa devolução ocorra entre 9 e 14 de outubro.

A partir de 14 de outubro, a Caixa Econômica Federal deverá assumir a intermediação dos casos em que houver algum impedimento para a restituição.

A contagem regressiva

O cronograma anunciado pelo governo é direto:

5 de outubro: último dia para o apostador retirar diretamente o dinheiro da plataforma.

6 de outubro: sites e aplicativos começam a ser bloqueados.

7 e 8 de outubro: as empresas informam aos bancos os valores associados aos CPFs dos usuários.

9 a 14 de outubro: previsão para devolução dos recursos pelas instituições financeiras.

14 de outubro em diante: a Caixa passa a intermediar situações que não tenham sido solucionadas.

Quem deixar para depois poderá encontrar um processo diferente daquele que existia até então.

E o “jogo do tigrinho”?

Jogos virtuais e modalidades como o popular “jogo do tigrinho” também entram no alcance da ofensiva anunciada pelo governo.

A medida faz parte de uma iniciativa mais ampla contra as apostas online e ocorre em meio à crescente preocupação oficial com o impacto dessas plataformas sobre o orçamento das famílias.

Adeus aos anúncios?

Outra frente da medida atinge diretamente a publicidade.

A partir da publicação da MP, novas ações publicitárias das casas de apostas ficam proibidas. As empresas terão até o fim do dia 5 de outubro para retirar campanhas, anúncios e ações de marketing.

Também deverão ser removidas marcas relacionadas a contratos de patrocínio.

É uma mudança que ultrapassa as telas dos celulares e chega aos estádios.

O futebol também entra na turbulência

Os clubes brasileiros estão entre os setores que podem sentir os efeitos da decisão.

Segundo os dados apresentados pelo governo, as bets desembolsaram R$ 1,1 bilhão em 2025 para patrocinar os principais clubes do país. O montante equivaleria a 36% das receitas de marketing dessas equipes.

Com a saída das empresas de apostas, contratos de patrocínio e exposição de marcas entram em uma nova fase.

Por que o governo decidiu agir?

O governo afirma que as medidas fazem parte de uma ofensiva contra o endividamento das famílias.

O assunto ganhou espaço no discurso de Lula nos últimos dias. O presidente passou a criticar publicamente o crescimento das apostas e afirmou que as plataformas transformam o vício em fonte de lucro.

O tema também ganhou força durante a reta final das eleições.

O tamanho da aposta

Um estudo do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz), divulgado em agosto, calculou que as bets retiraram R$ 62,5 bilhões do orçamento das famílias brasileiras em 2025.

O levantamento estima ainda uma saída líquida média de R$ 4,7 bilhões por mês entre outubro de 2024 e março de 2026.

O estudo relaciona o avanço das apostas à pressão sobre o orçamento doméstico em um período de juros elevados e dificuldades para pagar contas.

O setor contesta

As empresas não aceitam integralmente essa interpretação.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que representa o setor, contestou os dados do estudo do Comsefaz. A entidade afirma que existem problemas na análise e que fatores macroeconômicos relacionados ao crescimento do uso do Pix não foram devidamente considerados.

Agora, o que o apostador precisa fazer?

Para quem mantém saldo em uma plataforma autorizada, o ponto central é acompanhar o prazo.

Até 5 de outubro, a orientação anunciada pelo governo é solicitar diretamente o saque do dinheiro.

Depois disso, o acesso às plataformas será bloqueado e a recuperação dos valores seguirá outro caminho, envolvendo bancos e, em determinadas situações, a Caixa Econômica Federal.

Ao mesmo tempo, o governo enviou ao Congresso um projeto de lei que prevê punições para quem explorar, operar ou divulgar as plataformas.

O mercado das bets, portanto, entra

Comentários

Comentários