ARTIGO

Sobre capivaras, carrapatos e monumentos

Por Ivana Maria França de Negri |
| Tempo de leitura: 3 min

Enquanto pastam tranquilas, mal sabem que são alvo de grandes polêmicas nas redes sociais. Eu nem pretendia escrever sobre o assunto, mas confesso que às vezes é difícil ficar calada. Quando escrevo sobre pombos, gatos, cães, capivaras, sempre alguém de mal com a vida diz: “leve todos para sua casa!”...

Esses roedores gigantes habitam a beira do rio muito antes da fundação da cidade. Não é espécie invasora e sim nativa. Os invasores são os humanos que foram ocupando o habitat dos animais.

Como sempre, a ação do homem provoca alterações na harmonia da natureza. Havia os predadores naturais e a população das capivaras era controlada naturalmente.

Nas seguidas décadas em que usaram a queimada para a colheita da cana de açúcar, o fogo era ateado em círculos fechados, e os animais que ficavam no meio eram incinerados sem chances de fuga. Milhares de animais silvestres, filhotes, ninhos, e os predadores naturais, como sucuris e onças, foram dizimados causando severo desequilíbrio.

Vejo agora pessoas que sugerem o extermínio delas por medo do carrapato e da febre maculosa. Mas antes de condená-las, saibam que animais silvestres e domésticos como bois, cavalos, cachorros, aves em geral, saruês, gambás, roedores, pombos e até lagartos também carregam carrapatos. O que é necessário são cuidados e prevenção. Não se deve criar pânico. 

Vejo outros incitando caçá-las para comer sua carne. Saibam também que animais silvestres são protegidos por leis e não podem ser caçados.

Não vou entrar na polêmica da estátua da capivara gigante que seria instalada no engenho para atrair turistas. Já vi, em outros países, estátuas de animais de enormes dimensões. Em Ottawa, Canadá, há uma aranha imensa que é ponto turístico. Em Nova Iorque tem ursos e gorilas gigantes entre os arranha céus para conscientizar sobre a vulnerabilidade da vida selvagem. Na Turquia tem muitas estátuas de gatos, pois lá são respeitados e amados. Aqui em Piracicaba, o motivo das críticas seria por haver prioridades de limpeza e preservação dos monumentos. Mas não pretendo entrar nessa discussão.

O que defendo, é a resolução do problema da proliferação  dessa espécie, que seja benéfica para humanos e animais. E que não seja o extermínio, pois sabemos muito bem que ações “à la” Hitler jamais foram solução pra nada.

O Recanto dos Pássaros trouxe várias espécies de aves para dentro do parque. Tenho visto aves pousadas no lombo das capivaras comendo seus carrapatos. Isso é da natureza. Mas soube na semana passada, através do criador do Recanto, que as pessoas deixam no comedouro frutas podres, mofadas ou apenas cascas. Os pássaros se alimentam de polpas frescas. E se comerem alimento azedo, estragado e embolorado, vão adoecer e morrer. Assim como muitas pessoas, até com boa intenção, deixam bebedouros com açúcar para os beija-flores mas não fazem a higienização periódica necessária. A água no sol fica quente e propicia o desenvolvimento de fungos e bactérias que acabam por matar as aves. E um pássaro doente acaba transmitindo a todos os outros que vem tomar a mesma água contaminada. 

Concluo pedindo que haja bom senso e planejem ações de manejo, controle da natalidade e prevenção a possíveis doenças, mas que sejam benéficas para humanos e animais.

Ivana Maria França de Negri é escritora.

Comentários

Comentários