ARTIGO

Ciclos

Por Ivana Maria França de Negri |
| Tempo de leitura: 3 min

A vida é feita de ciclos. Quando um chega ao final, outro recomeça. E independe da nossa vontade, eles se iniciam e terminam e a gente tem que se adaptar. 

Quando crianças, achamos que a vida é eterna e consiste em brincar, descobrir o mundo, e a fase adulta nos parece algo pra lá de distante, anos-luz à frente. Temos toda a eternidade, não há preocupações, há um mundo inteiro a ser explorado.  A escola, os amigos, os professores que parecem ter o dom de saber tudo, de terem bebido na fonte da sabedoria. Só mais tarde descobriremos que não são deuses e sim humanos sujeitos a falhas como todos nós. 

Jovens, com os hormônios em ebulição, começam as paixões e o mundo gira em torno do próprio umbigo. Vem a vontade férrea de mudar o mundo! Quem um dia duvidou que poderia fazê-lo em seus mais ardentes devaneios? 

Adultos, mais comedidos, um tanto calejados com as decepções, é hora de construir o ninho, de ganhar dinheiro para o futuro, de subir na empresa, no trabalho, e o tempo fica muito escasso. Corre-se tanto, sem saber porque. É a época do cansaço, da ansiedade, do estresse, das competições que levam a lugar nenhum.  

Mas tudo passa mais depressa do que podíamos imaginar, as crianças crescem rapidinho, criam asas e voam. O ninho fica vazio, e novo ciclo se inicia. Nossos pais, que pareciam ser eternos, envelhecem e partem para outras dimensões. E nos tornamos irremediavelmente órfãos. Amigos se enveredam por outras plagas e começamos a ficar mais reflexivos, repensando qual seria a real finalidade da existência.  

Em algum momento da nossa caminhada, nos julgamos insubstituíveis, poderosos, inovadores, eternos, mas tão cegos, nem vislumbramos quão fugaz é a vida. 

Mergulhar naquela ciranda intensa que rodava a mil por hora, deixando sempre para depois as coisas que a gente mais gostava, será que valeu a pena? 

Se nos fosse dada a chance de recomeçar, agiríamos da mesma maneira? 

Olhando com calma ao nosso redor, constatamos que a Natureza também segue ciclos. Hora de germinar, de florir, de frutificar e de desfolhar-se. Tudo cumpre rituais milenares: nascer, viver e morrer. 

Olhamos a pandemia como algo aterrador! Mas a humanidade já passou por milhares de epidemias, tragédias, catástrofes ao longo dos séculos. E para a Natureza é tudo normal. 

E a clássica indagação nos vem à mente depois de sobrevivermos às tempestades: “Quem sou eu, de onde vim e para onde vou?” 

Estamos perdidos e buscamos sofregamente nossa origem, nossa fonte, nossa essência divina. E podemos concluir que tudo é aprendizado nesta breve passagem pelo mundo carnal, nesta escola que é a Vida. E aprendemos que o importante é ser generoso, amar, perdoar, ter compaixão, disseminar a paz, a alegria, conviver harmoniosamente com todos os seres que dividem o planeta conosco. O resto, dinheiro, fama, poder, bens materiais, não levamos nada de volta quando retornarmos à nossa essência. Essa é a realidade que custamos a aprender. 

O que sabemos é somente a pontinha do iceberg. Somos aprendizes na escola da vida. Então, aceitemos os desafios para aprendermos as lições e quando formos chamados para deixar este mundo, irmos leves, sem nada que nos prenda, mas com muita sabedoria e conhecimento que nosso espírito utilizará para evoluir. 

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