Uma crise pode ser compreendida como uma fase de instabilidade e perturbação, em que os componentes de um sistema encontram-se disfuncionais. Há crises de toda natureza: biológica, psíquica, política, social, econômica, ambiental. Uma crise não apenas demonstra certa desarmonia e saturação, mas igualmente prenuncia transformações, as quais objetivam novo estado de equilíbrio. Segundo inúmeros instrutores, vivemos no presente uma crise sem precedentes na história da humanidade, pois ela atinge todos os níveis, âmbitos e dimensões da vida planetária.
Os tempos tumultuosos em que nos encontramos representam a colheita do que temos semeado ao longo da história humana, individual e coletiva, ao mesmo tempo que preciosas oportunidades se apresentam, como solo fértil à espera de novas e melhores sementes, a fim de que em ciclos futuros possamos colher o resultado feliz do que fazemos no presente. A fim de compreendermos esse processo, não podemos nos limitar ao período de uma existência física, a qual, na melhor das hipóteses, chega a um século, nem apenas à dimensão material. Torna-se necessária uma visão mais ampla, que nos permita considerar os ciclos evolutivos mais longos assim como as múltiplas dimensões em que a vida se expressa.
As crises, como a que presenciamos atualmente no planeta, podem ser compreendidas como preciosas oportunidades de mudança, de transformação e de aprendizado. Sob tal perspectiva, até mesmo erros, sofrimentos e problemas convertem-se em rico material para aprimoramento, amadurecimento e expansão consciencial. Nesse sentido, pode-se aprender com os erros do passado, a fim de não mais repeti-los; existe sempre a possibilidade de mudança de rumo, quando se reconhece o equívoco no trajeto; multiplicam-se as oportunidades de transcendência, cura e libertação, sobretudo em períodos desafiadores, desde que se considerem tais ocorrências como válidas para o crescimento interior; a todo momento e em qualquer circunstância pode-se contar com o auxílio do Alto, sempre pronto a nos ajudar, bastando para isso a abertura e a fé.
Se as crises são inevitáveis em qualquer processo de desenvolvimento, seja individual, grupal ou planetário, seu aproveitamento depende da atitude interna de cada um, da predisposição a colaborar com as mudanças necessárias e da abertura ao aprendizado, aliadas à capacidade de adaptação a novos padrões e circunstâncias.
As crises se sucedem durante toda a vida, desde o nascimento, que é um tremendo esforço de superação, passando por todas as etapas do desenvolvimento humano, culminando na crise da morte, quando se encerra a experiência no corpo físico. Reconhecer esses processos como naturais, aproveitando sua ocorrência para a assimilação das lições nele contidas bem como para as necessárias transformações, faz parte da jornada humana. Nesse caminhar, as instruções de natureza espiritual têm papel relevante no esclarecimento de certas leis que regem os fenômenos humanos, na orientação acerca das atitudes corretas a serem tomadas diante dos desafios existenciais e no reconhecimento das imensas possibilidades de crescimento que nos oferecem.
Nos Evangelhos há inúmeras passagens nas quais Jesus nos exorta à coragem e à fé. Com suas instruções o Mestre nos impulsiona ao enfrentamento das inevitáveis dificuldades da jornada com a certeza de êxito, sob sua luminosa inspiração. Assim, podemos atravessar as crises – lembrando-nos que já o fizemos incontáveis vezes – e prosseguir confiantes no rumo de nossa plena realização.