A uma comitiva de Piracicaba, o vice-presidente da República do Brasil, Geraldo Alckmin, garantiu que o governo federal do presidente Lula prepara uma série de ações e medidas que irão ajudar Piracicaba e região a enfrentar o tarifaço americano de 37,5% sobre diversos produtos brasileiros, que podem provocar 10 mil demissões na cidade e afetar toda economia.
A garantia foi dada durante audiência, nesta manhã de sexta-feira, sete de agosto, que foi articulada pela deputada estadual Professora Bebel (PT) e que aconteceu na sede do BNDES, em São Paulo, e que contou com as presenças ainda do presidente do Simespi, Paulo Estevam Camargo, e de outros diretores da entidade, assim como do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba, Wagner da Silveira, o Juca, e diretores da entidade. O prefeito de Piracicaba, Hélio Zanatta, e o secretário municipal do Trabalho, Emprego e Renda, José Luiz Ribeiro, também participaram, entre outras lideranças, como a vereadora Rai de Almeida (PT).

A reunião com o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, na sede do BNDES, em São Paulo, foi articulado pela deputada Bebel e reuniu empresários, trabalhadores e o poder público
Diante da preocupação colocada pela comitiva piracicabana com o tarifaço americano, o que poderá provocar 10 mil demissões, o vice-presidente da República garantiu que em duas semanas será anunciado o Programa Brasil Soberano 3. Serão liberados R$ 21 bilhões em recursos para atender as empresas que foram afetadas pelo tarifaço americano, imposto pelo governo do presidente Donald Trump. Segundo Alckmin, as empresas que tiveram impacto acima de 1% do faturamento vão poder aderir ao Brasil Soberano 3.
Além disso, o Programa Move Agricultura vai liberar R$ 10 bilhões para aquisição de maquinário, o que irá beneficiar Piracicaba, que reúne diversas empresas que fazem da cidade uma grande produtora de máquinas. Os recursos também estarão disponíveis para o setor de autopeças, portanto, para indústrias que produzem e fornecem peças para o setor automobilístico, também beneficiando a região.

Na reunião, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, anunciou diversas medidas que vão ajudar tanto o setor sucroalcooleiro como de máquinas e autopeças
Com relação ao setor sucroalcooleiro, que está sendo duramente atingido pelo tarifaço, foi levantada a possibilidade de obter isenção de IPVA 100% para carros movidos exclusivamente a etanol. Apesar de não ser uma competência do governo federal, o vice-presidente se mostrou sensível a levar essa demanda adiante. Por outro lado, assegurou que o governo Lula estuda ampliar para até 35% a presença do etanol na gasolina para ajudar o setor a superar este momento, enquanto as negociações com o governo americano prosseguem.
Com relação à Medida Provisória 1346, deste ano, que garantiu subvenção para o setor de açúcar e álcool do Nordeste, Geraldo Alckmin disse que ela irá caducar no dia 31 de outubro, e aí o governo federal estuda apresentar um projeto de lei para estender a subvenção a todos os estados brasileiros, o que irá beneficiar a região de Piracicaba, assim como todos os estados que têm produção de açúcar e álcool. Para a deputada Professora Bebel, “foi um importante recado para o setor sucroalcooleiro, que fundamental para a economia de Piracicaba e que está sofrendo bastante nesse momento. Sem dúvida, foi uma ótima reunião e fico muitíssima satisfeita de participar e contribuir neste momento que é de todos nós nos unirmos em prol da região e do Brasil”.

Comitiva de Piracicaba que esteve na sede do BNDES para o encontro com o vice-presidente, Geraldo Alckmin
Na audiência, foi dado, ainda, o encaminhamento de que em até duas semanas será realizada uma reunião em Piracicaba com a presença do BNDES e da Apex, para que o setor produtivo e os trabalhadores saibam os caminhos para obter tanto acesso aos recursos do BNDES nesse momento de tarifaço, como também as oportunidades de diversificar mercados trazidos pela Apex.
Alckmin destacou que a Apex tem feito um trabalho muito consistente de ampliar mercados para os produtos brasileiros em diversos países, como Indonésia, Cingapura, União Europeia, Coreia do Sul, entre outros, e também será a oportunidade dos empresários e dos trabalhadores saberem esses caminhos sobre como obter não só o financiamento do BNDES, mas acesso a outros mercados para além do mercado americano.