CULINÁRIA

Rocambole de carne

Por Sonia Machiavelli | especial para a Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min

Ingredientes

  • 500 gramas de carne moída
  • 1 ovo
  • 3 colheres (sopa) de farinha de rosca
  • Sal e pimenta-do-reino a gosto
  • 2 dentes de alho
  • 1 cebola pequena
  • Cheiro-verde a gosto
  • 250 gramas de ricota
  • 2 colheres (sopa) de azeite

Poucos pratos evocam tanto a sensação de conforto e refeição em família quanto o rocambole de carne moída. Mas para entender como esse prato chegou ao cotidiano das nossas cozinhas, é preciso olhar para a evolução das técnicas culinárias europeias e para a própria reinvenção do conceito de rocambole.

A palavra ‘rocambole’ tem raízes na confeitaria europeia. Derivada dos bolos de rolo e ‘pains de mie’ enrolados - populares na França e adaptados com expertise no Brasil - , a técnica de rechear uma massa fina e enrolá-la sobre si mesma era originalmente reservada aos doces. 

Paralelamente, o conceito de assar carne moída moldada já existia na Europa sob a forma do ‘meatloaf’ (o bolo de carne dos alemães). O encontro genial entre essas duas tradições ocorreu quando a cozinha doméstica decidiu aplicar a técnica de enrolar do rocambole à versatilidade da carne moída. Em vez de um bloco sólido de carne, surgia uma preparação recheada, visualmente atraente e muito mais sucinta ao corte.

Se a origem do rocambole salgado reflete a criatividade da gastronomia caseira, sua longevidade nos cardápios se deve a um fator imbatível: a praticidade no reaproveitamento e na variação dos ingredientes. A carne moída é, por natureza, uma tela em branco. No formato de rocambole, ela transforma cortes acessíveis em um prato principal elegante e de alto rendimento. O segredo é abrir a carne sobre um papel-manteiga ou plástico filme. Uma quantidade modesta  se expande em  superfície extensa que acolhe recheios variados, multiplicando as porções da refeição.

A grande magia reside no aproveitamento inteligente de sobras e ingredientes do dia a dia. O clássico reúne presunto, muçarela e rodelas de tomate com orégano. Mas podem-se aproveitar sobras de vegetais cozidos como cenoura ralada, milho, ervilhas ou espinafre refogado. Vale ainda o bacon crocante com ovos cozidos e azeitonas picadas. Entre opções leves, queijo branco, ricota temperada e ervas finas. Esta última opção é a que se vê na foto acima.

Além da economia, o preparo entrega conveniência: pode ser montado com antecedência, congelado ainda cru ou assado, e servido tanto quente no almoço de domingo quanto frio em fatias para lanches rápidos. O rocambole de carne moída prova que a verdadeira alta gastronomia do dia a dia é aquela que une simplicidade, sabor marcante e desperdício zero.

Modo de fazer

Em uma tigela grande, misture a carne moída, o ovo, a farinha, o alho triturado, a cebola ralada, o sal, a pimenta e o cheiro-verde. Amasse bem com as mãos até formar uma massa firme que dê para modelar. Em outra vasilha, amasse a ricota com um garfo. Tempere com um pouco de sal, pimenta, azeite e ervas picadas a gosto. Para montar o rocambole, abra um pedaço de plástico ou papel-alumínio na mesa. Espalhe a carne em formato de retângulo com 1 centímetro de espessura. Espalhe a ricota temperada por cima da carne, deixando uma bordinha livre nas pontas. Com a ajuda do plástico ou papel, levante um dos lados e enrole a carne com cuidado, formando o rocambole. Feche bem as pontas e as laterais para o recheio não vazar. Coloque em uma assadeira untada com azeite. Cubra com papel-alumínio e leve ao forno preaquecido a 180°C por cerca de 30 minutos. Retire o alumínio e deixe por mais 20 minutos para dourar.

Sonia Machiavelli é professora, jornalista, escritora; membro da Academia Francana de Letras

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