Metade dos migrantes que entraram em Ceuta já voltaram a Marrocos
Mais de 25 mil migrantes já voltaram a Marrocos após entrarem de forma irregular em Ceuta, cidade autônoma espanhola. As informações são da agência EFE.
O retorno ocorre após cerca de 50 mil pessoas cruzarem a fronteira. A EFE relata que as saídas seguem em ritmo acelerado, com centenas de pessoas deixando a cidade em poucos minutos.
Maioria dos imigrantes é formada por jovens que passaram a noite ao relento e desistiram de permanecer na Espanha. Muitos disseram ter entendido que não conseguiriam regularizar a situação e decidiram voltar por conta própria.
Parte do grupo que tentou chegar a Ceuta se concentrou na cidade marroquina de Fnideq (Castillejos) e começou a retornar para outras regiões do país. Exaustos e com roupas molhadas, eles tentam embarcar em ônibus, caminhões, táxis compartilhados e até carros particulares em direção a Tânger, para seguir viagem até suas cidades.
Mesmo com a onda de retornos, ainda há tentativas de entrada em Ceuta pela costa e pelo quebra-mar, inclusive a nado. A EFE afirma que as forças marroquinas não intervieram para impedir parte dessas travessias.
Confrontos perto da fronteira continuam e deixaram áreas de acesso difícil ao longo da estrada que leva a Ceuta. A polícia marroquina usou gás lacrimogêneo e canhões de água para dispersar grupos de jovens, e a região amanheceu com pedras espalhadas, veículos incendiados e lixo nas ruas.
Violência e impacto nas cidades marroquinas
Comerciantes em Castillejos mantiveram as portas fechadas por temor de vandalismo, em meio à tensão na região. "Estamos mantendo nossos comércios fechados por medo de vandalismo e violência que possam surgir devido à tensão", disse um lojista do centro da cidade à EFE.
Alguns imigrantes relataram frustração ao perceber que não teriam como ficar em Ceuta e optaram por voltar sem esperar por uma ação oficial. "Não há nada para fazermos aqui, tanta coisa para fazer sem propósito", afirmou à EFE um jovem de 25 anos de Tetuão.
O reforço da Guarda Civil e de militares espanhóis ajudou a reduzir o número de novas entradas em relação ao pico registrado na quinta-feira. Ainda assim, a EFE aponta que a crise pode superar a de 2021, quando 10.000 pessoas entraram em Ceuta, e que autoridades espanholas registraram ao menos 24 mortos no episódio atual.