A vida, em todas as suas manifestações, é renovação permanente. Tudo o que vive, após o período de desenvolvimento, maturação e envelhecimento, caminha para a morte, a qual nada mais é do que o prenúncio do renascimento. A árvore que perece fornece a semente para uma nova planta; o animal que parte deixa seus descendentes. No caso dos seres humanos, após longos ciclos evolutivos em experiências primárias, começamos finalmente a despertar para a razão lúcida e para os sentimentos elevados.
Nessa trajetória, ainda erramos e tropeçamos incontáveis vezes. Se por um lado esses deslizes revelam o quanto somos limitados e falíveis, por outro evidenciam nosso imenso potencial de crescimento. Afinal, a cada lição aprendida e incorporada, elevamo-nos um degrau na grande escada evolutiva. Não importa quantas vezes tenhamos nos equivocado ou desviado do caminho reto; basta que nos decidamos a aprender com as experiências dolorosas e a mudar de rumo para começarmos a alterar o destino. A partir desse instante, empreendemos uma nova jornada em direção à plenitude. Erramos para aprender e, ao assimilarmos o aprendizado, damos os passos seguintes com muito mais acerto.
Não devemos, contudo, converter essa perspectiva otimista em pretexto para persistir no erro. A proposta é usá-la como motivação para o nosso soerguimento todas as vezes em que fraquejarmos. Sabemos que trazemos arraigados certos padrões disfuncionais de comportamento, atitudes e sentimentos, que atuam como obstáculos à livre expressão da vida em nós. Esses óbices precisam ser reconhecidos, superados e substituídos por virtudes. São as virtudes que permitem a manifestação dos atributos divinos de que todos somos dotados, em maior ou menor grau de desenvolvimento.
Se caímos durante a jornada existencial, significa ao menos que estávamos em movimento, ou seja, imersos na experiência evolutiva. Reconhecer os passos trôpegos, os desvios que geram sofrimento e as rotas que exigem redefinição constitui importante aspecto do nosso aprendizado na escola da vida. Em nossa atual condição, caminhar envolve passos vacilantes e equívocos de percurso. Essa realidade nos pede atenção e vigilância, além de uma constante reavaliação do rumo que estamos tomando.
Nesse cenário, os exercícios de oração, meditação e reflexão propostos pelas mais diversas escolas espiritualistas e religiões desempenham papel crucial no despertar da consciência, permitindo-nos aproveitar melhor a existência física. Eles funcionam como roteiros e mapas, apresentando as leis naturais que precisamos conhecer e seguir, os caminhos que facilitam a jornada e as providências que nos abastecem de forças para enfrentar os inevitáveis desafios cotidianos. A fé surge então como elemento primordial, suprindo-nos de energias renovadoras, sobretudo nas fases mais difíceis.
Na cura do paralítico, relatada nos Evangelhos, o Mestre, após restaurar a saúde de quem recebera a sua graça, afirma categoricamente: “Levanta-te, toma teu leito e vai para tua casa”. Em outras palavras, Jesus convida o homem a sair da condição limitadora em que se encontrava até então, a erguer-se para um novo patamar e a seguir, livre, no rumo de sua morada espiritual. Todos nós, ao sermos agraciados por condições favoráveis — o que ocorre infinitas vezes ao longo da existência —, podemos igualmente levantar e seguir. Temos, como atributo inalienável de nossa condição humana, capacidade de mudar de direção, redefinir rotas e iniciar uma nova jornada, pois a vida é, essencialmente, processo de aperfeiçoamento e dinamismo renovador.