ARTIGO

depressão e a ansiedade são sinais de luta, não de fraqueza

Por Luiz Xavier |
| Tempo de leitura: 3 min

Depressão é uma doença que tem reflexo negativo sobre a vida afetiva, familiar, profissional, social e exige acompanhamento médico e psicológico sistematizado. Sobre o tema trago hoje uma ótima reflexão da escritora Maria Helena Varella Bruna onde desmitifica o senso comum de que sofrer de depressão é sinal de fraqueza. 

“Os problemas emocionais não são uma escolha, e ninguém deseja atravessar uma depressão nem passar por momentos de ansiedade. Eles simplesmente podem surgir, após um período de acúmulo de situações e circunstâncias complicadas em nossas vidas. 

Existe uma falsa crença de que a ansiedade e a depressão são sinais de fraqueza e de incapacidade diante da vida. Mas não, uma pessoa com ansiedade, depressão ou sintomas mistos não está louca e nem tem uma personalidade fraca ou inferior aos outros. 

É triste e esgotador lutar contra isso, mas é uma realidade social que não podemos ignorar. Assim, apesar dos avanços da ciência, o inconsciente moderno que envolve nossa sociedade ainda pensa que os problemas emocionais e psicológicos são sinônimos de fragilidade e vulnerabilidade. 

Por isso, dado que a depressão e a ansiedade não são contempladas como feridas que precisam de atenção, é comum ouvir discursos circulares com argumentos do tipo ‘relaxe’, ‘não é para tanto’, ‘comece a se mexer, a vida não é isso’, ‘você não tem razões para chorar’, ‘comece a amadurecer’, etc. 

É fundamental realizar um exercício de conscientização e dar à dor emocional a importância que ela tem e merece. Assim, da mesma forma que não iríamos ignorar a dor causada por fortes pontadas no estômago ou uma enxaqueca terrível, não deveríamos ignorar a dor emocional. Não podemos esperar que estas feridas emocionais se curem sozinhas, devemos trabalhar para extrair delas o significado presente em seus sintomas. Melhor será consultar um psicólogo que nos ajude a proporcionar estratégias para fazer frente a esta grande dor emocional causada pela ansiedade e pela depressão. 

Seguindo com nosso exemplo, assim como deixamos de consumir a lactose quando descobrimos que somos intolerantes a ela, devemos “deixar de consumir” aqueles pensamentos e circunstâncias que infeccionam nossa ferida emocional. As sensações que nos invadem com a ansiedade são muito similares às que surgem em um passeio de montanha russa em que começamos a nos sentir mal. 

Coloquemo-nos nesta situação: fomos passar o dia em um parque de diversões no qual encontramos uma montanha russa incrível e decidimos andar nela. Para fazer isso, temos que esperar em uma longa fila até que chegue a nossa vez. O dia é quente e o sol está batendo forte em nossa cabeça, o que nos causa uma grande dor e mal-estar físico. Sentimo-nos cansados e não temos vontade de subir no vagão, mas fazemos isso, porque afinal estamos ali para aproveitar. Uma vez sentados, nosso coração começa a bater forte, tudo dá voltas ao nosso redor, os vagões giram 360 graus várias vezes, nos submergimos em túneis escuros e tudo parece nos atacar. Nossa respiração se acelera e nosso coração não pode parar. Sentimos que de um momento ao outro vai acontecer alguma coisa conosco. Nossas sensações estão bagunçadas, algo nos aprisiona no peito, ficamos imóveis e sem capacidade de reação. 

Não podemos evitar pensar em coisas negativas. Gritamos, choramos e nos queixamos, mas ninguém nos ouve, nem sequer nós mesmos. Pedimos desesperadamente que tudo aquilo pare, e sentimos que estamos morrendo na tentativa. No entanto, não conseguimos fazer com que nosso vagão freie, pois ele só parará quando acabarem os minutos programados para a viagem.  

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