ARTIGO

Compostagem: Aterros e aquíferos avaliados!

Por Antonio Oswaldo Storel |
| Tempo de leitura: 3 min

Uma pergunta que intriga os ambientalistas brasileiros: “Para onde vai todo o lixo (resíduos sólidos) coletado diariamente nas cidades do Brasil?” Poucos sabem, com precisão, o que é feito dessas milhares e milhares de toneladas de resíduos. Na verdade, esse processo foi evoluindo ao longo do tempo, mas muito ainda tem a avançar na tecnologia  de tratamento desses resíduos. Iniciando, há muitos anos, com a coleta domiciliar bruta, levando o lixo para determinado local, longe do perímetro urbano, o processo evoluiu para a construção de “aterros sanitários” onde todo o material é soterrado. Foi nesses locais que se iniciou a chamada coleta seletiva, separando-se para reutilização, através dos “catadores”, todo o material reciclável que representa pouco mais de 30% (trinta por cento) do total e encaminhando-o para o reaproveitamento industrial. 

 Mas, o grande problema do  lixo coletado,  está nos resíduos sólidos orgânicos, material que se decompõe com o tempo e produz o chamado “chorume”, líquido que se infiltra no solo e contamina perigosamente o lençol aquático subterrâneo, tornando essas águas que vêm à tona nas nascentes, imprópria para o uso humano. E esse tipo de resíduos representa mais de 50% (cinquenta por cento) do total do lixo coletado. Então, as instituições científicas começaram a produzir estudos técnicos práticos para transformar os resíduos sólidos orgânicos coletados no lixo, em adubo orgânico, através da compostagem. O adubo orgânico é usado com segurança na agricultura, na horticultura, sem o agravante de qualquer produto químico adicionado. 

Acontece que o fundamental e de elevada importância no processo de compostagem ou mesmo na reciclagem, é a chamada “coleta seletiva” na origem dos resíduos. A educação da população para a separação dos resíduos ainda no âmbito doméstico, utilizando recipientes (podem ser sacos plásticos) de cores específicas e então, a coleta já recolhe os resíduos devidamente separados, dando a cada tipo, o destino adequado. Se mais da metade do lixo vai para a compostagem, outros 30% (trinta por cento) vai para a reciclagem, restam apenas 20% (vinte por cento) da coleta que vai para o aterro sanitário. Além do ganho no tempo de duração do aterro, o ganho maior seria do ponto de vista ambiental, eliminando-se a possibilidade de contaminação do lençol aquático subterrâneo. 

Se o processo de compostagem é tão importante para o meio ambiente e para a própria população, porque ainda está implantado em tão poucas cidades a nível nacional? Parece que as administrações públicas e as empresas privadas terceirizadas para a coleta, colocam obstáculos quando se propõe tornar mais complexo o aterramento simples de todo o material coletado, pouco lhes importando a contaminação do solo e da água que o processo provoca! 

 Meu filho mais velho, o Storel Júnior, Engenheiro Agrônomo formado na ESALQ/USP, com Mestrado na UNICAMP e completando Doutorado da Faculdade de Saúde Pública/USP, tornou-se especialista na questão e tem seus projetos já implantados em algumas capitais como São Luíz, no Maranhão, Salvador e outra cidade, na Baía, Rio Branco, no Acre, na vizinha cidade de Botucatu e outras, onde o benefício da compostagem já está presente para alívio do meio ambiente e da própria população. Na Capital paulista já existem algumas usinas de compostagem e Storel Júnior é responsável pela localizada na região da Represa de Guarapiranga. O excelente adubo orgânico produzida é utilizado pelos horticultores da periferia da grande São Paulo. 

Porém, para que um projeto de compostagem seja implantado num município, há necessidade que a população passe por um processo educativo de conscientização e orientação técnica sobre a rigorosidade e perfeição da Coleta Seletiva, detalhe para que tudo funcione direitinho! De que adiantaria eu providenciar corretamente a separação dos diversos tipos de resíduos em minha casa, se meu vizinho não o faz e acaba misturando as coisas, seja por desconhecimento ou negligência? 

A compostagem não é simplesmente um luxo ou uma atitude esnobe de uma Gestão Pública. Esse processo é um passo técnico importantíssimo para o avanço no aperfeiçoamento da vida em sociedade! Assim como o Tratamento de Esgotos veio para salvar os rios dos dejetos sanitários que eram despejados nos cursos d¹água. Com a palavra a Administração Pública de nossa querida Piracicaba 

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