ARTIGO

Poesia e Alzheimer

Por Ivana Maria França de Negri |
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de pesquisadores da Universidade de Liverpool, na Inglaterra, divulgou um estudo bastante interessante sobre o mal de Alzheimer e concluiu que a poesia clássica melhora a qualidade de vida das pessoas e previne o envelhecimento.

Ninguém está imune a desenvolver Alzheimer, doença incurável, mas pode tomar algumas medidas preventivas exercitando o cérebro em toda a sua potencialidade.

Ao longo da vida, esse órgão bastante complexo, vai perdendo conexões importantes que acarretam perdas de memória, lentidão nos reflexos e movimentos, e também a capacidade de absorver novos conhecimentos.

Apesar das milhares de pesquisas, ainda intriga cientistas do mundo todo. As doenças relacionadas ao cérebro, como demências, psicopatias e depressão em diversos estágios, que influem no bem-estar geral, muitas vezes não tem possibilidade de cura, mas podem ser utilizados cuidados paliativos para amenizar sua ação.

Nesse estudo, comprovou-se que a leitura de poesias clássicas, com maior grau de dificuldade para compreensão, eleva a atividade cerebral a altos níveis, principalmente os poemas que levam o leitor a reler várias vezes, forçando o cérebro a trabalhar e que estimulam o uso do raciocínio para compreender melhor as figuras de linguagem e as metáforas. E acabam obrigando o cérebro a se esforçar para tentar entender as entrelinhas. Segundo o jornal britânico “Daily Telegraph”, a pesquisa revelou que a atividade do cérebro dispara quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases de estrutura complexa. O ritmo e a musicalidade dos versos de um poema acessam áreas do cérebro que a fala comum não alcança, resgatando lembranças, favorecendo a reconexão com fatos já vividos. E reduz a ansiedade também.

A pesquisa mostra também que a poesia dá ânimo a doentes terminais nas fases agudas de suas doenças e ajudam a enfrentar os momentos difíceis com mais suavidade.

Há vinte anos existe uma entidade nos EUA, a Associação Nacional para a Terapia pela Poesia. O terapeuta seleciona um poema, lê para o paciente e discute sua resposta emocional. Enquanto ele lê poemas, acaba se esquecendo da doença. E esse “remédio”, ao contrario dos outros medicamentos, não tem contra-indicação alguma!

A geriatra Ana Arantes costuma prescrever poesia aos seus pacientes, pois acredita que os efeitos atingem diferentes partes do cérebro, onde medicamentos não costumam atingir. E ela diz: “é claro que a poesia não muda a doença e seus efeitos, mas pode ajudar bastante o paciente, levando-o a reflexão e entendimento de muitos problemas existenciais que afligem os serem humanos”. Enfrentando esses problemas, há a diminuição da angústia e ansiedade que acompanham as doenças, minimizando o quadro e dando uma melhor qualidade de vida.

E mais do que a escrita em si, poesia é a essência criativa e subjetiva que pode habitar textos, músicas, pinturas, fotografias, ou até mesmo o nosso cotidiano. Olhar com olhos de poeta é ver tudo sob outro ângulo, enxergar detalhes ocultos, ver com os olhos do coração como dizia o “Pequeno Príncipe” de Éxupery.

Camões estava quase cego quando escreveu sua obra-prima “Os Lusíadas”.

Então, vamos ler mais poesias! Um ótimo remédio para os males da alma, sem contraindicação ou efeitos colaterais.

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