CULINÁRIA

Creme aveludado de mandioquinha

Por Sonia Machiavelli | especial para a Rede Sampi
| Tempo de leitura: 3 min

Ingredientes

  • 500 gramas de mandioquinha
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva ou manteiga
  • 700 ml de caldo de legumes
  • 1 cebola média
  • 2 dentes de alho
  • Sal, pimenta-do-reino e noz-moscada a gosto
  • Cheiro-verde picado para finalizar
  • Fatias de bacon para decorar (opcional)

Para quem gosta de atentar para as palavras do idioma, é interessante descobrir como uma mesma raiz tuberosa consegue mudar tanto de nome dependendo de onde se mora. Exemplo: embora no prato o sabor adocicado e a textura aveludada sejam os mesmos, os vocábulos mandioquinha, batata-baroa e batata-salsa carregam histórias e caminhos linguísticos completamente diferentes.

O termo mandioquinha (popular em São Paulo e no Sul) é um diminutivo de ‘mandioca’, palavra que vem do tupi mani'oka (casa de Mani, a entidade indígena da lenda sobre a origem da raiz). Trata-se de uma analogia puramente visual: quando o vegetal chegou ao Brasil, vindo dos Andes, as pessoas notaram que ele parecia uma mandioca pequena, embora pertença a família botânica totalmente distinta.

Já batata-salsa (comum no Paraná e em partes de Santa Catarina) nomeia o vegetal por outra perspectiva. Essa raiz pertence à família Apiaceae, a mesmíssima da salsa (salsa-comum) e do aipo. Quando a planta cresce, suas folhas são visualmente idênticas às da salsa. Daí nasceu o nome: uma "batata" cuja rama lembra a salsa, a nossa salsinha.

Por fim, batata-baroa (termo forte no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo) tem uma origem histórica diversa e bem curiosa. O nome faz referência ao título de "baronesa" (ou baroa, no feminino arcaico). Uma das versões mais aceitas aponta que a raiz foi introduzida no mercado fluminense por representantes de uma figura da nobreza imperial — possivelmente a Baronesa de Muriaé ou outra personalidade da época. De certo é que a família nobre cultivava em seus quintais a espécie de batata trazida de algum lugar estrangeiro, como presente. Algumas mudas acabaram surrupiadas pelos jardineiros e agradaram aos pobres que começaram a usar a raiz em preparos culinários, chamando-a ‘batata-da-baroa’. Como é da ordem natural dos idiomas a economia, o ‘da’ logo sumiu da pronúncia e ficou apenas ‘batata baroa’.

Seja qual for o nome pelo qual se tornou conhecida, é alimento rico em nutrientes e saboroso ao paladar. Compõe vários pratos, um deles o   creme aveludado, perfeito para noites frias. Anote.

Em uma panela média, aqueça o azeite ou a manteiga. Adicione a cebola e o alho bem picados, refogando até que fiquem transparentes e aromáticos, sem deixar dourar demais.

Adicione as mandioquinhas apenas raspadas e picadas em rodelas e misture bem com o refogado. Despeje o caldo de legumes quente até cobrir tudo. Tampe a panela e cozinhe em fogo médio até que os pedaços estejam bem macios, desmanchando ao toque do garfo.

Desligue o fogo. Com o auxílio de um mixer de mão (direto na panela) ou transferindo o conteúdo para um liquidificador, bata tudo até obter um creme perfeitamente liso e homogêneo. Cuidado ao usar o liquidificador com líquidos quentes: retire a sobretampa para o vapor escapar ou use um pano de prato ajustado entre a tampa e a boca do copo.

Sirva bem quente, decorando com cheiro verde e bacon frito, o que é opcional. Para fritar o bacon deixando-o sequinho e sem sujar o fogão, use o micro-ondas ou a Airfryer. Coloque as fatias sobre papel toalha e leve ao forno ou à fritadeira por sete minutos ou até que estejam douradas e crocantes.

Sonia Machiavelli é professora, jornalista, escritora; membro da Academia Francana de Letras

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