O governo federal acelerou as tratativas diplomáticas com os Estados Unidos na tentativa de reduzir os impactos da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Com prazo apertado, representantes brasileiros devem realizar uma nova rodada de negociações nesta semana antes da decisão final prevista pelo governo norte-americano.
Governo busca reduzir impactos das tarifas
A equipe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), liderada pelo ministro Márcio Elias Rosa, deve participar de mais uma reunião virtual com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O encontro faz parte de uma série de negociações iniciadas após o anúncio da proposta de sobretaxação.
Nos bastidores, integrantes do governo reconhecem que a reversão total da medida é considerada improvável. Ainda assim, a estratégia brasileira é buscar um acordo que preserve setores considerados estratégicos para a economia nacional ou reduza a alíquota prevista para alguns produtos.
A expectativa é que essa seja a sexta reunião entre as equipes técnicas dos dois países desde o início das discussões.
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Decisão americana deve sair até 15 de julho
O governo dos Estados Unidos deverá anunciar até o dia 15 de julho sua posição definitiva sobre a proposta de aumento das tarifas. Até lá, o Brasil pretende ampliar o diálogo diplomático para apresentar argumentos contra a adoção da medida.
O Palácio do Planalto optou por não participar das audiências públicas promovidas pelas autoridades americanas nesta semana. Segundo a avaliação do Itamaraty, esses encontros possuem baixo potencial de influenciar a decisão final da administração dos EUA.
Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e o influenciador Paulo Figueiredo confirmaram participação nas audiências organizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
Pix está entre os principais pontos da disputa
Em documento oficial de 29 páginas encaminhado ao governo americano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, rebateu as críticas direcionadas ao sistema de pagamentos Pix.
Segundo o governo brasileiro, o Pix ampliou a concorrência no setor financeiro e criou novas oportunidades para empresas privadas, inclusive companhias norte-americanas, sem restringir a atuação de instituições estrangeiras.
O documento também sustenta que a legislação comercial utilizada pelos Estados Unidos não autoriza sanções apenas por divergências sobre políticas públicas adotadas por outro país soberano.
EUA apontam seis áreas de preocupação
Além do Pix, o governo americano apresentou questionamentos envolvendo outros temas da política econômica e comercial brasileira. Entre os pontos destacados estão:
- comércio digital;
- tarifas preferenciais;
- combate à corrupção;
- proteção da propriedade intelectual;
- política para o etanol;
- combate ao desmatamento ilegal.
As negociações seguem até a definição oficial da Casa Branca, enquanto o governo brasileiro tenta minimizar os efeitos da possível sobretaxa sobre as exportações nacionais.