ARTIGO

O futuro da saúde já cabe em uma garrafa e uma pastilha

Por Rogério Cardoso |
| Tempo de leitura: 3 min

No último dia 11, vivi uma daquelas experiências que fazem a gente voltar para casa com a cabeça cheia de ideias. A convite do meu amigo de longa data, Eduardo Buriola, empresário do Armazém Cerealista, junto de seu sócio Railton e da nutricionista Bruna Biegas, estive na Natural Tech, em São Paulo, uma das maiores vitrines da América Latina quando o assunto é alimentação saudável, suplementos, produtos naturais e inovação em saúde.

Confesso: fui curioso. Voltei impressionado.

A feira é quase um retrato do futuro passando diante dos olhos. Em cada corredor, um novo produto. Em cada estande, uma tendência. Em cada conversa, uma pista sobre para onde estamos caminhando quando falamos de saúde, longevidade, performance e qualidade de vida.

Como trabalho diretamente com duas áreas que me movem profundamente — o envelhecimento saudável e a performance humana — acabei olhando tudo com esse filtro. E o que vi mostra uma mudança importante: as pessoas não querem apenas viver mais. Querem viver melhor. Com força, autonomia, disposição e consciência.

Hoje já existem produtos pensados para quem precisa se recuperar melhor, manter massa muscular, consumir proteína com mais praticidade e cuidar do corpo de forma inteligente. Vi água com proteína, uma alternativa interessante para o pós-treino e também para idosos que muitas vezes têm dificuldade de consumir proteína suficiente, algo essencial na prevenção da sarcopenia. Vi creatinas com melhor digestibilidade, creatina em forma de pastilha, proteínas veganas, snacks proteicos, suplementos feitos a partir de ervas, folhas e ingredientes naturais. Há opções para todos os gostos, rotinas e fases da vida.

Mas uma das visitas que mais me chamou atenção foi ao estande da Mahta. A empresa desenvolve produtos superenriquecidos usando ingredientes da floresta amazônica, como açaí, bacaba, bacuri, cacau e castanha-da-amazônia. O mais interessante é que parte desse desenvolvimento tem ligação com Piracicaba: testes realizados no Parque Tecnológico do Santa Rosa, participação de estagiários ligados à ESALQ e profissionais da cidade envolvidos na pesquisa e no desenvolvimento. Uma das PhDs da equipe, inclusive, é de Piracicaba.

Experimentei sabores que fogem completamente do comum. Barras de proteína, cafés enriquecidos e produtos com uma proposta que une ciência, natureza e Brasilidade. Foi impossível não pensar no quanto ainda temos a descobrir quando olhamos com mais respeito para a nossa própria biodiversidade.

Outro ponto que chamou atenção foi o crescimento de suplementos voltados para pessoas que usam ou pretendem usar medicamentos GLP-1, as famosas “canetinhas”. Já existem produtos pensados para antes, durante e depois desse processo. Isso mostra que esse mercado veio para ficar, mas também reforça algo fundamental: emagrecer sem preservar massa muscular, sem cuidar da alimentação e sem orientação adequada pode cobrar um preço alto.

É impossível ver tudo em uma feira desse tamanho. Mas uma coisa ficou clara: proteína, creatina, longevidade e performance deixaram de ser assuntos restritos a atletas. Estão entrando na rotina de pessoas comuns que querem envelhecer melhor, treinar melhor e viver com mais saúde.

O mercado de produtos saudáveis cresce porque existe uma mudança cultural acontecendo. As pessoas estão bebendo menos álcool, lendo mais rótulos, buscando mais qualidade e entendendo que saúde não começa apenas no consultório ou na academia. Começa também nas pequenas escolhas do dia a dia.

Saí da Natural Tech com uma certeza: o futuro da saúde não será apenas sobre viver muitos anos. Será sobre chegar lá com força, lucidez, autonomia e movimento. E usando a tecnologia e evolução da medicina para chegar lá de forma melhor. Até a próxima!

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