A aprovação da foslevodopa/foscarbidopa hidratada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) marca um novo capítulo no tratamento da doença de Parkinson avançada no Brasil. A terapia, indicada para pacientes que convivem com flutuações motoras graves e debilitantes, surge como alternativa para casos em que os tratamentos convencionais já não oferecem resposta satisfatória.
O medicamento funciona por meio de infusão subcutânea contínua durante 24 horas, utilizando uma bomba específica que mantém a liberação da medicação de forma estável na corrente sanguínea. A proposta é reduzir oscilações motoras intensas e proporcionar maior controle dos sintomas ao longo do dia.
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Especialista em Neurocirurgia Funcional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o neurocirurgião Dr. Marcelo Valadares avalia que a chegada da terapia representa um avanço importante para o manejo clínico da doença no país. Segundo ele, o tratamento contribui para ampliar as possibilidades de individualização terapêutica em pacientes com Parkinson avançado.
O médico também destaca que a foslevodopa/foscarbidopa hidratada já vinha sendo utilizada em países como Estados Unidos e Canadá, especialmente em casos considerados mais complexos. A aprovação no Brasil acompanha um movimento internacional de expansão das terapias avançadas voltadas ao controle contínuo dos sintomas motores.
Entenda por que o Parkinson evolui
A doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa progressiva causada pela perda de neurônios produtores de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos. Com a redução dessa substância, sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão motora e instabilidade postural passam a comprometer a qualidade de vida dos pacientes.
Embora a levodopa oral siga como principal tratamento da doença, especialistas apontam que a progressão do quadro pode exigir estratégias mais sofisticadas, incluindo ajustes de doses, combinações medicamentosas e terapias avançadas. Entre elas, já estão consolidadas abordagens como a estimulação cerebral profunda (DBS), utilizada em pacientes com sintomas motores complexos ou resposta reduzida aos medicamentos tradicionais.
Para o especialista da Unicamp, a expectativa é que a aprovação da Anvisa acelere o acesso dos pacientes brasileiros a novas alternativas terapêuticas, preservando autonomia, funcionalidade e qualidade de vida sem comprometer a segurança clínica.