Celebrado em 25 de maio, o Dia da Indústria reforça a importância de um dos setores mais estratégicos para a economia de Piracicaba e região. Em um cenário marcado por expansão industrial, chegada de novas empresas e transformação tecnológica, o setor também enfrenta desafios importantes, principalmente relacionados à falta de mão de obra qualificada, custos operacionais e necessidade de previsibilidade para investimentos.
A força da indústria regional aparece nos números mais recentes do mercado de trabalho. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que Piracicaba registrou saldo positivo de 2.101 empregos formais no primeiro trimestre de 2026, demonstrando fortalecimento da economia local. O desempenho teve participação importante do setor industrial, especialmente da cadeia metalmecânica, que voltou a liderar a geração de vagas no município após um período de retração em 2025.
O segmento metalmecânico segue entre os principais motores da economia regional, impulsionado pelas cadeias automotiva, sucroenergética, de máquinas e equipamentos, logística e metalurgia. Piracicaba também mantém forte atratividade industrial graças à localização estratégica, presença de universidades, escolas técnicas e grandes empresas exportadoras.
De acordo com o presidente do Simespi (sindicato patronal das indústrias metalmecânicas de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras), Paulo Estevam Camargo, a indústria regional segue forte e diversificada, mas vive um momento de atenção em áreas estratégicas. “O grande desafio hoje é a questão da mão de obra. Estamos com uma falta muito grande de profissionais qualificados em praticamente todos os segmentos da indústria da região, seja na metalmecânica, automotiva, eletroeletrônica ou fundição”, afirma.
Segundo ele, o Simespi vem intensificando ações para aproximar os jovens do ambiente industrial e estimular a formação técnica. Entre as iniciativas estão parcerias com escolas técnicas, visitas às unidades de ensino e programas de incentivo ao conhecimento do setor industrial. “Estamos trabalhando fortemente para mostrar aos jovens que a indústria mudou. Hoje existem automação, novas tecnologias, ambientes modernos e muitas oportunidades de carreira. Precisamos aproximar essa nova geração da indústria”, destaca Camargo.
O presidente do Simespi ressalta ainda que o desafio não é apenas de qualificação, mas também de interesse dos jovens em ingressar no setor.
ESCADA 6X1
Outro tema que movimenta a indústria regional é a expansão dos distritos industriais e a chegada de novos investimentos. Recentemente, a Prefeitura de Piracicaba oficializou a destinação de áreas nos distritos Unisul e Nupei para instalação e ampliação de 16 empresas.
De acordo com o presidente do Simespi, Paulo Estevam Camargo, a disponibilidade de áreas industriais é essencial para garantir competitividade e crescimento econômico. “Piracicaba tem vocação industrial muito forte. Precisamos oferecer estrutura para que as empresas possam crescer e para que novos investimentos venham para a cidade. Existe uma procura muito grande por áreas industriais”, afirma.
Segundo ele, no caso do Nupei, mais de 50 empresas demonstraram interesse pelos lotes disponibilizados, evidenciando o potencial de crescimento da cidade. “Metade das empresas escolhidas já atuava em Piracicaba e está ampliando operações. A outra metade vem de fora, o que demonstra a atratividade da região”, ressalta o empresário.
Os números do primeiro trimestre de 2026 reforçam esse cenário de retomada industrial. Segundo levantamento baseado no Caged, a indústria metalmecânica voltou a apresentar crescimento na contratação de trabalhadores formais. Sobre a discussão envolvendo o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal, Paulo Camargo defende cautela e diálogo entre empregadores e trabalhadores.
“O trabalhador precisa, sim, ter qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e família. Mas uma mudança dessa magnitude precisa considerar os impactos econômicos para as empresas, principalmente as pequenas e médias indústrias”, avalia. Na visão do presidente do Simespi, negociações coletivas por categoria seriam mais adequadas do que uma regra única nacional. “O Brasil é muito diverso. Cada setor e cada região têm suas particularidades. A melhor solução é a negociação coletiva”, diz. Apesar dos desafios, o presidente do Simespi reforça que a indústria continua sendo protagonista no desenvolvimento econômico regional. “A indústria é um motor da nossa economia. Existe vontade de investir e crescer”.