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Cosan avalia saída da Raízen após crise da dívida

Por Da Redação |
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Divulgação
Possibilidade de a Cosan deixar a estrutura acionária da Raízen ganhou força.
Possibilidade de a Cosan deixar a estrutura acionária da Raízen ganhou força.

A possibilidade de a Cosan deixar a estrutura acionária da Raízen ganhou força após a holding confirmar que não pretende participar do novo aporte de capital da joint venture criada com a Shell. A decisão deve reduzir significativamente a participação da empresa controlada por Rubens Ometto no negócio de energia e combustíveis.

Durante teleconferência com analistas realizada nesta sexta-feira, o CEO da Cosan, Marcelo Martins, afirmou que a venda da participação na Raízen ainda não foi oficialmente definida, mas admitiu que a tendência é buscar liquidez futuramente.

Segundo ele, a fatia da holding na companhia deve perder relevância após a reestruturação financeira em andamento.

Reestruturação pode mudar controle da Raízen

A renegociação das dívidas da Raízen prevê a conversão de até metade do passivo, estimado em R$ 65 bilhões, em participação acionária. O plano está em discussão com credores e pode alterar profundamente a composição societária da empresa.

Com isso, a Cosan deve terminar o processo com uma posição minoritária. O tamanho final dessa participação dependerá das condições negociadas, incluindo o valor de conversão das dívidas e o tipo de ações envolvidas na operação.

A Shell já havia sinalizado a intenção de investir R$ 3,5 bilhões na companhia. Em paralelo, existia a possibilidade de um aporte adicional de R$ 500 milhões por parte de Rubens Ometto, condicionado ao andamento das negociações. Agora, a Cosan reafirma que não pretende injetar novos recursos na empresa.

Cosan acelera plano de desinvestimentos

A movimentação ocorre em meio a uma estratégia mais ampla de reorganização financeira da holding. Após concluir o IPO da Compass nesta semana, reduzindo sua participação de 88% para 75%, a Cosan espera levantar cerca de R$ 2,5 bilhões.

Além disso, o grupo avalia vender ativos considerados estratégicos para reduzir o nível de alavancagem. Entre as possibilidades analisadas estão participações na Radar, empresa do setor agrícola, e na Rumo, braço ferroviário do conglomerado.

A Radar encerrou o primeiro trimestre com patrimônio líquido de R$ 18 bilhões e lucro de R$ 95 milhões, números que reforçam o potencial de interesse do mercado em uma eventual negociação.

Mudança estrutural na holding

A Cosan também indicou que a estrutura da holding poderá ser desmontada gradualmente nos próximos anos. O plano prevê que os acionistas passem a deter participações diretas nas empresas controladas pelo grupo.

A reorganização faz parte do acordo firmado anteriormente com a entrada do BTG Pactual e da Perfin como acionistas da companhia, movimento que abriu caminho para uma reformulação completa da estrutura corporativa.

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