O fim da chamada “taxa das blusinhas” começou a impactar diretamente o custo de compras internacionais de baixo valor no Brasil. A retirada do imposto de importação de 20% para encomendas de até US$ 50 promete aliviar o bolso dos consumidores que utilizam plataformas estrangeiras.
A medida passou a valer nesta semana, por meio de Medida Provisória, e se aplica a pedidos feitos dentro do programa Remessa Conforme, da Receita Federal. A expectativa é que sites populares de e-commerce internacional já reflitam a redução nos preços finais.
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Valores simulados com dólar a R$ 5,00. Inclui imposto de importação (20%) + ICMS por dentro.
ICMS segue como fator decisivo
Mesmo com o alívio no imposto federal, o ICMS continua influenciando diretamente o preço final. A alíquota varia entre 17% e 20%, dependendo do estado.
Além disso, o cálculo desse imposto é feito “por dentro”, ou seja, ele integra a própria base de cálculo. Isso torna o valor final mais alto do que uma simples soma percentual sobre o preço do produto.
Quanto custava antes e agora
Em estados com ICMS de 17%, como São Paulo, uma compra de US$ 50 chegava a cerca de US$ 72,29 (aproximadamente R$ 362) antes da mudança. Com o fim do imposto de importação, o valor cai para cerca de US$ 60,24 (R$ 302).
Já em estados com alíquota de 20%, como Minas Gerais, o custo total podia atingir US$ 75 (R$ 375). Agora, passa para cerca de US$ 62,50 (R$ 313).
Histórico e arrecadação
A “taxa das blusinhas” foi criada em agosto de 2024, após aprovação do Congresso, estabelecendo a cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50.
Nos primeiros meses de 2026, a arrecadação com esse tipo de imposto somou R$ 1,78 bilhão, um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior. A medida, no entanto, vinha sendo alvo de críticas por encarecer produtos de baixo valor.
Com a nova decisão, o governo recua parcialmente na política tributária para esse tipo de compra, mantendo, porém, a cobrança do ICMS e a tributação mais pesada para valores superiores.