Ciro Gomes descarta Presidência e anuncia candidatura ao Ceará
Convidado por seu partido para disputar a Presidência da República, Ciro Gomes (PSDB) afirmou que será candidato ao Governo do Ceará na eleição deste ano.
Ele anunciou a intenção de entrar na disputa estadual no sábado (9), em Fortaleza, a integrantes do PL, partido do senador Flávio Bolsonaro.
Em vídeo divulgado pelo deputado federal Doutor Jaziel (PL-CE), Ciro afirma que membros do PL foram figuras importantes na decisão de disputar a eleição no Ceará. "Estavam comigo quando tive dúvida se deveria ser pré-candidato."
A assessoria de Ciro confirmou à reportagem a decisão dele pela eleição estadual. Ao portal G1 ele afirmou que "queria ser uma opção para essa polarização", mas pendeu para o Ceará.
No anúncio em Fortaleza, estavam presentes os deputados estaduais Alcides Fernandes, pré-candidato ao Senado, e Doutora Silvana, ambos do PL do Ceará, além de Doutor Jaziel, que se autodenomina "um dos poucos cearenses que fazem oposição a Lula em Brasília".
Questionada pela reportagem, a assessoria de Ciro afirma que eventual apoio a Flávio Bolsonaro depende do caminho que o PSDB seguir no âmbito nacional.
O presidente do partido, Aécio Neves (PSDB), sinalizou, em novembro do ano passado, que não vai apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) nem a candidatura de qualquer um dos Bolsonaros.
No último mês, Aécio convidou Ciro para disputar a Presidência pelo partido na eleição deste ano. Para ele, o Brasil precisa de "quase um novo Plano Real" para se atualizar em relação a trabalho, economia e desenvolvimento. "Não encontro hoje no quadro político nacional alguém com tantas qualificações, tão atualizado em relação à realidade brasileira e com tanta contribuição a dar ao país", disse.
Em dezembro de 2025, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro foi a Fortaleza para o lançamento da pré-candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará e criticou o apoio do deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente do partido no estado, a Ciro Gomes.
Ela disse ainda que a aliança com o político era precipitada e defendeu que a direita se unisse em torno do nome de Girão. "Não dá para fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita", afirmou Michelle no ato, em referência ao marido.
O posicionamento de Michelle desagradou André Fernandes. Depois do episódio, ele falou à imprensa que a aliança com Ciro teve aval de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e de Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
Em episódio recente, no último dia 5, Michelle voltou a criticar o apoio de políticos de direita a Ciro. Em uma publicação no Instagram, ela compartilhou um vídeo de 2019, em que o político critica Bolsonaro em uma entrevista. No vídeo, ele chama o ex-presidente de "jumento", "imbecil" e "burro". "E ainda há pessoas da 'direita' apoiando esse indivíduo", escreveu Michelle.
Ciro esteve à frente do Governo do Ceará entre 1991 e 1994. Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no final de abril deste ano, ele liderava a disputa no estado contra o governador Elmano de Freitas (PT), mas perderia em cenário contra Camilo Santana (PT), ex-ministro da Educação de Lula.
No segundo turno, Ciro batia Elmano por 46% a 35%. Já contra Camilo a vantagem se invertia, mas por margem mais apertada, com vitória do petista por 44% a 39%.