Um estudo realizado pela equipe do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena-USP), em Piracicaba analisou 211 amostras de chocolates de 116 marcas comercializadas no Brasil e concluiu que todos os produtos avaliados atendem ao percentual mínimo de cacau exigido pela legislação brasileira.
De acordo com as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, os chocolates devem conter pelo menos 25% de sólidos de cacau, enquanto o chocolate branco precisa apresentar no mínimo 20% de manteiga de cacau.

A pesquisa foi publicada na revista científica Food Chemistry e apontou diferenças na composição dos produtos vendidos no mercado brasileiro. Segundo os pesquisadores, chocolates meio amargo produzidos em larga escala apresentaram proporções de cacau e açúcar próximas às encontradas em chocolates ao leite e brancos, mesmo quando os rótulos indicavam cerca de 40% de cacau.
Os resultados mostraram que chocolates ao leite, brancos e meio amargo apresentaram, em média, entre 25% e 30% de cacau. Já os chocolates amargos registraram índices compatíveis com os percentuais informados nas embalagens, geralmente superiores a 60%. Produtos artesanais nacionais e chocolates importados também apresentaram composição próxima da declarada pelos fabricantes.
O levantamento observou ainda que, nos chocolates mais consumidos, o açúcar aparece como principal ingrediente listado nos rótulos, enquanto o cacau ocupa posições secundárias. Nos chocolates amargos e artesanais, o cacau aparece com maior predominância na composição.
Para realizar as análises, os pesquisadores utilizaram uma técnica de análise isotópica capaz de identificar a proporção de cacau e açúcar presente nas amostras. O método avalia diferentes tipos de carbono encontrados nos ingredientes e permite estimar a origem vegetal dos componentes utilizados na fabricação dos produtos. Os testes foram conduzidos no Laboratório de Ecologia Isotópica do Cena-USP.
Os pesquisadores também conseguiram identificar a origem geográfica do cacau utilizado em alguns chocolates artesanais brasileiros, diferenciando produtos feitos com cacau cultivado na Amazônia e na Mata Atlântica.
Outro estudo desenvolvido pelo mesmo grupo e publicado na revista científica Food Control analisou 46 marcas de chocolate em pó e achocolatados vendidos no país. Entre os chocolates em pó avaliados, apenas uma marca apresentou teor de cacau abaixo do mínimo exigido pela legislação. Já os achocolatados apresentaram teor médio de 14% de cacau, com predominância de açúcar na composição.
Segundo os autores do estudo, a pesquisa teve como foco a proporção de cacau e açúcar presente nos produtos analisados. O trabalho não avaliou aspectos nutricionais nem classificou os chocolates e achocolatados quanto aos impactos para a saúde.