A discussão sobre a jornada semanal de trabalho e os modelos de escala tem ganhado protagonismo no debate nacional e acende um alerta na indústria. Para o presidente da metalúrgica Dan Power e ex-presidente do Simespi, Erick Gomes, qualquer mudança nesse campo precisa considerar a realidade prática das empresas e a diversidade econômica do país.
Na avaliação dele, há espaço para avanços, mas por meio de negociação. “Existe um denominador comum possível, que é a escala 5x2, mas mantendo as 44 horas semanais”, afirma. Segundo Gomes, esse modelo já é adotado pela base metalúrgica de Piracicaba e região, com compensação da jornada aos sábados.
Para o empresário, propostas generalizadas, como a redução da jornada semanal em nível nacional, ignoram as diferenças regionais e setoriais. “O Brasil é um país plural. Não acredito em uma solução única. O ideal é que representantes dos trabalhadores e dos empregadores construam alternativas adequadas a cada realidade”, diz.
Gomes também demonstra preocupação com os impactos econômicos de mudanças estruturais. Ele afirma que o aumento de custos pode comprometer a competitividade da indústria brasileira em um cenário global. “Hoje competimos com o mundo. Se continuarmos nessa direção, podemos enfrentar um processo de desindustrialização”, alerta.
O debate sobre jornada ocorre em um contexto em que, apesar da queda nos índices oficiais de desemprego, empresas relatam dificuldade para contratar. Para Gomes, isso revela distorções na leitura do mercado de trabalho.
Ele critica a metodologia utilizada nas estatísticas, argumentando que parte da população em idade ativa não é considerada desempregada por receber benefícios sociais. “Na metodologia as pessoas que estão em idade de capacidade laboral plena, mas que recebem auxílio do governo, não entram na estatística de desempregados, os números mostram que se a metodologia incluir esses cidadãos como desempregados, o número saltaria para, aproximadamente 34%. ”, afirma.
Além disso, o empresário avalia que o modelo tradicional de trabalho, regido pela CLT, perdeu aderência diante de novas formas de ocupação. “Vemos novos sistemas laborais nascendo, o qual permitem uma maior flexibilização dos horários e impostos, como exemplo os entregadores autônomos do "mercado Livre", Ubers e entregadores de aplicativos, isso vem de encontro ao sistema tradicional de trabalho , que é engessado”, diz.
Produtividade e entraves estruturais
Outro ponto destacado por Erick Gomes é a baixa produtividade brasileira em comparação com países desenvolvidos. Para ele, o problema não está na qualificação da mão de obra, mas no ambiente regulatório. “São tantas burocracias com Normas reguladoras sem necessidade, engessamento legal que faz com que nosso país não utilize o melhor que tem, que é a sua mão de obra. Brasileiro é um povo trabalhador e preparado”, afirma.
Diante desse cenário, o empresário defende mudanças estruturais que simplifiquem processos e deem mais autonomia às relações de trabalho, como forma de impulsionar a competitividade da indústria.