Com previsão de anúncio no Dia do Trabalho (1º de maio), o governo federal finaliza os detalhes do Desenrola 2.0, nova aposta para aliviar o orçamento das famílias e reaquecer o consumo no país. A proposta surge em meio ao alto nível de inadimplência e deve priorizar brasileiros com renda de até cinco salários mínimos, além de alcançar, em etapas futuras, microempreendedores e trabalhadores informais.
No centro da estratégia está a tentativa de tornar as renegociações mais sustentáveis. O plano combina descontos elevados, juros mais baixos e garantia pública para estimular a adesão de bancos e facilitar a troca de dívidas caras por condições mais previsíveis.
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Descontos altos e garantia pública ampliam alcance
A equipe econômica negocia com instituições financeiras a concessão de abatimentos que podem chegar a 80% do valor total das dívidas. Para viabilizar essa redução, o governo pretende reforçar o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que cobre parte do risco em caso de nova inadimplência.
Esse mecanismo tende a dar mais segurança aos bancos, ao mesmo tempo em que amplia o acesso dos consumidores a condições mais favoráveis. Em paralelo, também está em discussão a fixação de um teto de juros de até 1,99% ao mês, abaixo das taxas inicialmente consideradas.
A combinação desses fatores busca substituir débitos mais caros, como os de cartão de crédito e cheque especial, por contratos com parcelas mais previsíveis, reduzindo a pressão no orçamento doméstico.
Regra do FGTS e prazo das dívidas ainda dividem
Entre os pontos mais delicados está o uso do Fundo de Garantia. A proposta em análise estabelece que o trabalhador só poderá utilizar o saldo disponível se ele for suficiente para quitar integralmente a dívida. O objetivo é evitar que o recurso seja usado apenas como abatimento parcial, sem resolver a situação de inadimplência.
A medida também tenta preservar o papel do FGTS no financiamento de áreas como habitação e infraestrutura, o que explica parte da resistência à sua liberação mais ampla.
Outro impasse envolve o tempo de atraso das dívidas que poderão ser incluídas no programa. O governo defende prazos mais curtos, enquanto os bancos pressionam para incluir débitos mais antigos, que permitem descontos maiores. O modelo em negociação tende a contemplar dívidas com atraso entre três meses e até dois anos.
O desenho final ainda depende de consenso entre a equipe econômica e o sistema financeiro. A expectativa é que, uma vez lançado, o Desenrola 2.0 tenha impacto direto na redução da inadimplência e ajude a destravar o consumo ao longo de 2026.