Uma descoberta feita por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) lança nova luz sobre a vida na Terra há cerca de 230 milhões de anos. A equipe identificou uma espécie inédita de réptil a partir de um crânio fóssil encontrado no interior do Rio Grande do Sul, ampliando o conhecimento sobre a diversidade de animais que habitaram o planeta antes do domínio dos dinossauros.
O estudo foi publicado na revista científica Royal Society Open Science e destaca o potencial da região central gaúcha como um dos principais sítios fossilíferos do período Triássico no mundo.
Batizada de Isodapedon varzealis, a nova espécie pertence ao grupo dos rincossauros, répteis herbívoros que se destacavam pelo formato peculiar do crânio. No caso desse exemplar, o destaque vai para o bico pontiagudo, semelhante ao de um papagaio, que provavelmente era utilizado para cortar plantas e escavar o solo em busca de raízes.
O fóssil foi encontrado em Agudo, área que integra o Geoparque Mundial Unesco Quarta Colônia. A análise revelou uma característica rara: placas dentárias mais simétricas do que as observadas em espécies semelhantes, o que inspirou o nome científico do animal. Com base no crânio, os pesquisadores estimam que o réptil media entre 1,2 e 1,5 metro de comprimento, podendo alcançar até cerca de 3 metros ao longo da vida.
VEJA MAIS:
- Placas de veículos podem voltar a exibir cidade e estado; ENTENDA
- Motorista que atropelou e matou jovem diz que fugiu por medo
- Clique aqui e receba, gratuitamente, as principais notícias da cidade, no seu WhatsApp, em tempo real.
Uma ligação entre continentes antigos
Além das características físicas, a nova espécie chama atenção por suas relações evolutivas. A análise indica proximidade com o rincossauro europeu Hyperodapedon gordoni, encontrado na Escócia. A semelhança reforça a teoria de que, durante o período Triássico, os continentes formavam o supercontinente Pangeia, permitindo a circulação de espécies entre regiões hoje separadas por oceanos.
Outro exemplo dessa conexão já havia sido observado com o réptil Dynamosuchus collisensis, também identificado no Brasil e com registros semelhantes na Europa.
A descoberta eleva para seis o número de espécies de rincossauros já identificadas no país, indicando que o grupo teve grande diversidade ao longo de milhões de anos, possivelmente favorecida por diferentes estratégias alimentares.
O fóssil está preservado no Centro de Apoio à Pesquisa Paleontológica da Quarta Colônia (Cappa/UFSM), em São João do Polêsine, onde também há exposição aberta ao público. A pesquisa foi conduzida por Jeung Hee Schiefelbein, Maurício Silva Garcia, Mariana Doering e Rodrigo Temp Müller, com apoio de instituições como Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação Paleovert, reforçando o papel da ciência brasileira na reconstrução da história da vida no planeta.