Entre 2015 e 2050, a proporção de indivíduos com mais de 60 anos no mundo quase dobrará, saltando de 12% para 22%, segundo a Organização Mundial da Saúde. Em números absolutos, isso significa mais de 2 bilhões de pessoas. Mas viver mais não implica, necessariamente, um envelhecimento saudável. As informações são da Agência Einstein.
Durante décadas, envelhecer bem foi sinônimo de "não ficar doente". Hoje, sabe-se que vai muito além disso.
"Envelhecer saudável, à luz da ciência, é envelhecer livre de condições crônicas que prejudiquem sua qualidade de vida", resume Bruno Gualano, presidente do Centro de Medicina do Estilo de Vida da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
O foco, portanto, não está apenas em viver mais, mas em viver melhor: com autonomia, clareza mental, mobilidade e vínculos afetivos preservados.
Essa visão ampliada aparece em um artigo publicado no periódico Geriatrics, no qual pesquisadores da Universidade de Cagliari, na Itália, analisaram vários conceitos de envelhecimento saudável debatidos nos últimos 50 anos.
A conclusão é de que se trata de um fenômeno multifatorial, que envolve corpo, mente, relações sociais, cultura, espiritualidade e até a forma como cada pessoa lida com as mudanças da vida.
Sinais de alerta
Dores articulares: Dores persistentes não devem ser normalizadas. "A dor não é considerada uma parte normal do envelhecimento", alerta Crosara.
Cansaço excessivo: Fadiga constante pode indicar anemia, distúrbios hormonais, problemas do sono ou sarcopenia.
Infecções frequentes: Infecções repetidas ou mais graves, especialmente com confusão mental e emagrecimento, também acendem o sinal de alerta.
Memória e cognição: O alerta surge quando o esquecimento interfere na vida diária, causa desorientação ou vem acompanhado de mudanças de comportamento. "É preciso ver se existe transtorno do humor, alterações de vitamina, da tireoide ou do sono", ressalta Crosara.
Bons sinais
Caminhada e equilíbrio: Caminhar com segurança, manter o equilíbrio, recuperar-se bem de gripes, acordar com energia e ter sono reparador são sinais de que o corpo está envelhecendo bem.
Força, apetite e curiosidade: "Ter força preservada, coordenação boa, apetite regular e curiosidade pelas novidades da vida são indícios de que existe uma boa reserva fisiológica", observa a geriatra Isadora Crosara, do Einstein Hospital Israelita de Goiânia.
Humor e libido: Humor estável, disposição física e boa libido indicam saúde cardiovascular, metabólica e neurológica adequada.
Força de preensão manual: A força com que se aperta a mão é um dos marcadores mais estudados na geriatria. "É um marcador clínico robusto de saúde global, especialmente em idosos", aponta Crosara. Valores baixos estão associados a doenças cardiovasculares, quedas, fraturas e declínio cognitivo.
Dá tempo de mudar
Mexa o corpo do seu jeito: "Você não precisa ser atleta. Pequenas doses de atividade física ao longo do dia já trazem benefícios reais", ressalta Gualano.
Nunca é tarde: Quem começa a se exercitar aos 80 anos ainda ganha força, mobilidade e autonomia, segundo Crosara.
Largue o cigarro e o álcool: Abandonar o cigarro, principal causa de morte evitável do mundo, e o abuso de álcool são essenciais para envelhecer com saúde.
Genética não é destino: A maioria das diferenças no envelhecimento vem de fatores como alimentação, sono e vínculos sociais, não apenas da genética.