A Praça Machado de Mello, no centro de Bauru, entre a antiga estação da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e o Calçadão da rua Batista de Carvalho, reúne parte importante da história da formação urbana da cidade. O espaço homenageia o engenheiro Joaquim Machado de Mello, um dos responsáveis pela construção da NOB, ferrovia que consolidou Bauru como o maior entroncamento férreo da América do Sul no início do século 20.
A história da praça remonta aos primeiros anos de desenvolvimento da cidade, quando a região ainda apresentava poucas construções e extensas áreas de vegetação rasteira, com capim e pequenos arbustos. A transformação da área em praça pública só foi possível graças à doação de parte do terreno pelo então superintendente da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), o engenheiro Dr. Joaquim Machado de Mello.
À época, o município não dispunha de recursos para desapropriar a área triangular situada entre as ruas Sorocabana (em frente à Estação Central da NOB), Piatã (Monsenhor Claro) e Batista de Carvalho. Em 3 de setembro de 1917, Machado de Mello oficializou a doação da área, com a sugestão de que a área fosse usada se construir uma praça. Em homenagem ao gesto, a Prefeitura e Câmara Municipal deram o nome do engenheiro ao local.
A casa de Machado de Mello ficava em frente da área doada, na esquina das ruas Primeira de Agosto e Monsenhor Claro, onde hoje existe uma igreja. Era um sobrado em madeira, sofisticado para a época, em um terreno com muitas árvores e que abrangia meio quarteirão, quase chegando na rua Gérson França.
Inaugurada em 1917, a praça tornou-se uma das principais referências urbanas de Bauru e abriga um dos monumento mais antigo da cidade: o busto de Joaquim Machado de Mello, inaugurado em 13 de maio daquele ano.
"De acordo com relatos, o busto ficava de frente para a estação ferroviária, mas em uma das greves dos funcionários da NOB, foi virado de costas e assim permaneceu até mesmo após a reforma feita na década de 1990, que o tirou do centro da praça para a lateral, onde permanece", conta o historiador Alex Sanches.
O busto não passou ileso a atos de vandalismo, em maio de 2023 foi derrubado do pedestal, sendo recolocado e soldado novamente em seu lugar, dias depois. Em setembro de 2025 a placa de identificação do busto foi furtada, não sendo localizada até hoje.
Joaquim Machado de Mello nasceu em 3 de maio de 1856. Aos 15 anos, foi para a Bélgica, onde estudou no Colégio Deperich e se formou engenheiro, em 1874, pela Escola de Gand, em Bruxelas. Ao retornar ao Brasil, em 1880, atuou em importantes obras de infraestrutura, como a construção do primeiro engenho central em Angra dos Reis.
Posteriormente, trabalhou na Estrada de Ferro Leopoldina e, durante o governo de Rodrigues Alves, foi convidado para participar de grandes obras no Rio de Janeiro, incluindo o Cais da Praia de Botafogo e a expansão da Noroeste. Também integrou projetos de remodelação urbana na gestão de Pereira Passos.
Mais do que homenagem, a praça representa um dos pontos centrais da história ferroviária de Bauru. Era ali que ficava a entrada principal da antiga Estação Ferroviária, por onde chegavam os viajantes que desembarcavam na cidade e adquiriam passagens na bilheteria e foi o coração da cidade durante o auge do entroncamento ferroviário (1920-1950).
Também se tornou uma espécie de rodoviária, onde os ônibus intermunicipais paravam para embarque e desembarque de passageiros, enquanto o terminal rodoviário não era construído, o que só ocorreu em 1980. Por alguns anos abrigou a base Centro da Polícia Militar, que mudou de local por conta das inundações.
Além de desfiles cívicos e greves do funcionários da NOB, a praça também foi palco de pagamento de promessa. Em 1978, Guilherme da Costa e Silva Dias, instalou um crucifixo com a imagem de Jesus crucificado para pagar uma promessa. O Cristo também foi furtado, restando apenas a cruz.