ALTERNATIVA

Campinas cria “Lugares da Memória” após crise das bancas

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/PMC
Conselho aprova novo instrumento de preservação após polêmica envolvendo retirada de bancas no Centro de Campinas.
Conselho aprova novo instrumento de preservação após polêmica envolvendo retirada de bancas no Centro de Campinas.

Em meio à repercussão negativa provocada pela retirada de 52 bancas no Centro de Campinas, o Condepacc aprovou nesta quinta-feira (9) a criação dos chamados “Lugares da Memória”, um novo instrumento de reconhecimento cultural na cidade.

  • Clique aqui para fazer parte da comunidade da Sampi Campinas no WhatsApp e receber notícias em primeira mão.

A retirada das estruturas foi determinada por diretriz formulada pelo conselho, mas posteriomente suspensa com a polêmica causou.

A medida surge como uma tentativa de reorganizar o debate sobre preservação urbana após o desgaste político gerado pela decisão da Prefeitura, que atingiu diretamente pontos tradicionais da região central.

O novo mecanismo permite reconhecer como patrimônio cultural espaços que marcaram a vida da cidade, como bancas, padarias, cinemas, cafés, livrarias e restaurantes, mesmo que não estejam mais em funcionamento.

Diferentemente do tombamento, o reconhecimento não impõe restrições ao imóvel. Trata-se de uma identificação simbólica, formalizada por processo administrativo e sinalizada com a instalação de placas, destacando o valor histórico e afetivo do local.

Primeira análise envolve banca tradicional

Como primeiro caso dentro da nova ferramenta, o Conselho decidiu abrir processo para reconhecimento da Banca do Alemão, no Largo do Rosário. Fundada em 1951, ela é considerada a mais antiga ainda em funcionamento na cidade.

A escolha ocorre em um momento em que as bancas passaram ao centro do debate público, após a determinação pela retirada de estruturas na área central, ação que gerou críticas de comerciantes e frequentadores.

Novo instrumento amplia conceito de patrimônio

A proposta amplia o conceito de preservação ao incluir não apenas edificações, mas também espaços ligados ao cotidiano urbano e à memória coletiva. O reconhecimento pode ser mantido mesmo que o local tenha sido transformado ao longo do tempo.

O processo depende de regulamentação por resolução e inclui análise técnica da Coordenadoria Departamental do Patrimônio Cultural, responsável por avaliar os critérios históricos e culturais.

A base jurídica está na Constituição Federal e em normas do IPHAN, que já preveem a utilização do instrumento em outras cidades.

Com a decisão, Campinas passa a adotar um modelo semelhante ao de outros órgãos de preservação, que trabalham com registros de memória urbana sem as limitações impostas pelo tombamento tradicional.

Comentários

Comentários