Segundo o Relatório de Saúde Mental, divulgado pelo Informe Epidemiológico sobre a Situação de Saúde da Juventude Brasileira, feito pela Fiocruz, a taxa de suicídio entre jovens chega a 31 casos por 100 mil habitantes. Um índice superior à taxa geral da população, que é de quase 25 casos a cada cem mil habitantes. De acordo com o psicólogo especialista em saúde mental Renato Zampa, embora nem todos os casos sejam iguais, há comportamentos que podem indicar risco.
Em Jundiaí, a morte de uma adolescente de 17 anos chama a atenção para a gravidade do tema. Segundo a Polícia Civil, a jovem Melissa Felippe, de 17 anos, foi encontrada sem vida em uma área de mata no Jardim Ermida, na região do Eloy Chaves. A principal linha de investigação aponta para suicídio, com base em uma carta deixada à família e na presença de uma garrafa com comprimidos misturados à água ao lado do corpo. Infelizmente não é um caso isolado.
“Frases que indicam perda de sentido na vida, falas com conotação de despedida e mudanças no humor fora do padrão habitual da pessoa são sinais que devem ser observados com atenção”, explica o especialista.
Diante desses indícios, o acolhimento é essencial, porém reforça quanto a importância de procurar ajuda profissional, incluindo serviços voltados à escuta, como o Centro de Valorização da Vida (CVV). “É mais importante ouvir e tentar entender o que a pessoa está sentindo do que buscar soluções imediatas. Esse acolhimento precisa ser livre de julgamentos. Na dúvida, é sempre melhor agir e estar atento aos comportamentos.”

Renato Zampa destaca que casos podem acontecer por diversos fatores
Outro ponto importante destacado pelo especialista é buscar entender a situação que se passa com o jovem, pensando com a cabeça de um jovem. “Nós, adultos, naturalmente enxergamos as coisas de forma diferente e muitos não evitam os julgamentos. Isso gera mais reclusão e mais dificuldade para interpretar os sinais. Temos sempre que tentar nos colocar no lugar deles para ajudar”, ressalta.
Diversos fatores
Renato aponta que o suicídio é um fenômeno multifatorial e complexo, influenciado por diferentes aspectos. Entre eles, estão a pressão acadêmica e profissional e o ambiente cada vez mais competitivo. “Os jovens enfrentam hoje uma cobrança maior do que em décadas passadas, o que gera um senso interno de exigência constante”, afirma.
Além disso, fatores como redes sociais e as comparações geradas, bullying, dificuldades nos ciclos de amizade e isolamento contribuem para o agravamento do quadro. “A comparação constante pode gerar sensação de insuficiência, enquanto o isolamento, intensificado durante a pandemia, reduziu o acesso a redes de apoio”, explica. Ele acrescenta que o cérebro do jovem ainda está em desenvolvimento, o que aumenta a impulsividade e dificulta a percepção de que situações difíceis podem ser superadas.