Os primeiros dois meses de 2026 trouxeram um dado bastante relevante para Jundiaí e toda a nossa região: o saldo positivo de 1.421 novos empregos com carteira assinada. Quando olhamos mais de perto, vemos que a indústria teve papel decisivo nesse resultado, com a criação de 836 novos postos de trabalho.
Esse desempenho não é por acaso. Jundiaí possui uma indústria de transformação diversificada, com empresas de ponta que vêm ampliando mercados e buscando competitividade em diferentes segmentos. Hoje, o setor industrial local soma um estoque de mais de 52 mil trabalhadores formais, o que demonstra sua relevância estrutural para a economia do município.
Um dos destaques da nossa região é o setor metalmecânico, que segue aquecido e bastante diversificado. No entanto, esse crescimento vem acompanhado de um desafio cada vez mais evidente: a necessidade de mão de obra qualificada. As empresas estão contratando, há oportunidades reais, mas nem sempre encontram profissionais preparados para atender às demandas técnicas exigidas.
Vivemos hoje uma situação paradoxal. Ao mesmo tempo em que somos uma região privilegiada pela qualidade da mão de obra, enfrentamos uma escassez crescente de profissionais qualificados. O aumento do número de empresas, novos investimentos e a expansão de setores industriais intensificam a concorrência por talentos, e isso já começa a preocupar o setor produtivo.
Alguns fatores ajudam a explicar esse cenário. Observamos um crescimento da informalidade e da busca por alternativas de renda mais imediata, como atividades por aplicativo. Além disso, programas sociais e outras dinâmicas acabam concorrendo com o mercado formal. Soma-se a isso uma questão demográfica importante: a diminuição da entrada de jovens no mercado de trabalho e o envelhecimento da população.
Esse conjunto de fatores não impacta apenas a indústria, ele traz reflexos diretos em toda a economia e até no futuro do país. Quando reduzimos o número de trabalhadores com carteira assinada, afetamos também o equilíbrio do sistema previdenciário, que depende dessas contribuições para se sustentar ao longo do tempo.
Por outro lado, os dados também mostram um cenário de oportunidades. Segundo o Ccaged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), ligado ao Ministério do Trabalho e Emprego, foram, em média, 24 carteiras assinadas por dia em Jundiaí neste início de ano. Os setores da indústria e da construção civil lideram as contratações, o que sinaliza um mercado aquecido e com espaço para quem busca inserção ou recolocação profissional.
Diante disso, é fundamental que haja um esforço conjunto. Precisamos fortalecer a qualificação profissional, aproximar ainda mais o setor produtivo das instituições de ensino, como Senai, e incentivar a formação técnica. Para quem está em busca de uma oportunidade, a mensagem é clara: há vagas, especialmente na indústria, mas a qualificação será sempre o grande diferencial.
O Ciesp Jundiaí segue atuando como um elo importante nesse processo, não apenas representando o setor industrial, mas também contribuindo para a leitura e interpretação dos dados econômicos, ajudando a sociedade a compreender os movimentos do mercado de trabalho e os caminhos para o desenvolvimento sustentável da nossa região.
Jundiaí mostra, mais uma vez, sua força. Mas, para sustentar esse crescimento, será essencial enfrentarmos, desde já, o desafio da formação de mão de obra para o presente e, principalmente, para o futuro.
Alexandro Zavarizi é diretor titular do Ciesp Jundiaí