A Academia Piracicabana de Letras já provou, ao longo de mais de 50 anos, que tem estrutura de sobra, é forte, é respeitada, é atuante, mas falta uma coisa que todo bom construtor sabe que faz diferença: o teto. Falta a cobertura, falta a casa de verdade. E é aí que entra esse chamado, quase um apelo mesmo, para levantar a nossa “Casa das Palavras”.
Porque, no fundo, o que está em jogo não é só um prédio. É dar abrigo àquilo que sustenta a humanidade: a escrita.
E olha… não é exagero dizer que a escrita foi uma das maiores invenções da história. Antes dela, a vida era solta demais. O sujeito brigava de manhã, perdoava à tarde e esquecia à noite.
Não ficava registro, não ficava prova, não ficava aprendizado. A memória era fraca, e o tempo apagava tudo sem dó.
Até que alguém, lá atrás, resolveu desenhar um bisão numa parede de caverna. E aquilo não era só um rabisco, não. Era um recado: “olha o tamanho disso aqui!”. Era o começo de tudo. Era o ser humano dizendo: “não quero esquecer mais”.
Daí pra frente, a coisa só cresceu. A escrita começou com a necessidade, comércio, contagem, troca, controle. Era preciso anotar quem devia, quem pagava, quanto tinha, quanto faltava. E assim ela foi ganhando forma, evoluindo junto com a própria civilização.
Passou pelas pedras, pelos penhascos, pelos tabletes de barro, pelos papiros e pergaminhos, até chegar ao papel. E hoje? Hoje a gente escreve até no vento, com os dedos na tela, mandando mensagem, publicando ideia, registrando tudo em tempo real.
E não foi só a escrita que evoluiu, não. As ferramentas também contam essa história. Primeiro pedra batendo em pedra. Depois cinzel e marreta, arrancando palavra da rocha na marra.
Vieram os pincéis, as penas de ave, depois as penas de metal, a madeira marcando o barro.
Aí veio uma virada gigante com Johannes Gutenberg, que colocou a escrita em escala, multiplicou ideias, espalhou conhecimento. Depois surgiram as canetas, a máquina de escrever batendo firme como quem pensa alto… até chegar na era digital, onde a gente escreve com os dedos, na velocidade do pensamento.
E no meio disso tudo, tem uma estrela que merece respeito: a caneta da BIC. Simples, barata, transparente, mas genial. Aquela bolinha girando na ponta, soltando tinta na medida certa, sem falhar. O tubinho mostrando quanto ainda tem de tinta. A tampinha que encaixa no bolso. É tecnologia fina disfarçada de simplicidade. É ciência que cabe na mão. Este texto foi feito por ela.
Hoje, a escrita não é só expressão, é também responsabilidade. A gente fala de direitos, de posse da informação, de quem escreveu, de quem pode usar. O que antes era só memória virou documento, virou prova, virou patrimônio.
E aí entra o ponto principal: a escrita constrói a história, e a história empurra o progresso. É nela que estão os erros que não podem se repetir e os acertos que merecem ser ampliados. É nela que estão os valores que fazem a comunicação humana avançar.
Por isso, preservar a escrita é preservar a própria inteligência da humanidade.
E é exatamente isso que a Academia Piracicabana de Letras faz há décadas. Reúne pensamento, guarda ideias, valoriza autores, incentiva projetos. É um celeiro de conteúdo, um ponto de encontro de mentes que pensam antes de agir, porque toda ação começa numa ideia bem escrita.
Mas convenhamos: tudo isso merece mais do que existir no esforço. Merece um símbolo. Merece um espaço à altura. Merece a tal “Casa das Palavras”.
Um lugar onde a escrita tenha endereço. Onde a história tenha abrigo. Onde o pensamento tenha palco.
Não é luxo, é reconhecimento. Não é vaidade, é necessidade.
E pode anotar: esse teto vai sair. Porque quando a palavra insiste, quando a ideia ganha força e quando a história cobra coerência… não tem parede que fique sem cobertura.
A “Casa das Palavras” não é um sonho distante. É um próximo capítulo.
E com firmeza felizmente, já começou a ser escrito.
Walter Naime é arquiteto-urbanista e empresário.