A partir de Maio deste ano, entra em vigor a nova versão da Norma Regulamentadora (NR-1), que trata do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) aos trabalhadores nas empresas. Esta norma traz em seu texto a inclusão de diretrizes sobre riscos psicossociais como fatores que demandam gestão e prevenção por parte das empresas.
Em minha opinião, trata-se de uma grande oportunidade para as Empresas fazerem a lição de casa do jeito certo com relação a saúde mental dos funcionários e colherem excelentes resultados (mesmo porque este tema é o que está na base, no alicerce de tudo), mas alerto: atendam a Lei, mas cuidado com a forma que vocês estão atendendo. Implementar os procedimentos é necessário e não é complicado como muitos estão "vendendo", mas fazê-los acontecer depois é a "chave" que muda tudo e que a maioria não está entendendo e, por isso, poderão ter os investimentos e os resultados comprometidos!
Por outro lado, também tenho percebido com preocupação o fato da saúde mental estar se tornando um nicho de mercado; diagnósticos e tratamentos estão se transformando em produtos de consumo, ou seja, o "mal-estar" está sendo mercantilizado!
Embora o termo "sustentabilidade mental" tenha surgido no mundo corporativo, a verdadeira saúde mental vai além de ser apenas um indicador de produtividade nos mais variados "kpi's" das empresas; para ela realmente "dar certo" é necessário conscientização, treinamentos, empatia, condições humanas, equilíbrio entre vida pessoal e de trabalho e muito importante: deve ser tratada e conduzida apenas por Profissionais devidamente capacitados em saúde mental / emocional.
O cuidado com a mente humana não pode ser tratado da mesma forma que matérias-primas ou produtos industriais (commodities). Uma coisa não tem nada a ver com a outra, mesmo porque a mente humana é, na verdade, a base para qualquer coisa dar certo, ou não! (e essa é outra premissa que a maioria ainda não entendeu...).
Aliás, a saúde mental é um direito fundamental de todos e uma necessidade humana.
Abaixo listo algumas estatísticas que comprovam a necessidade de maior atenção e cuidados de todos nós sobre esse tema:
56 milhões de brasileiros (26,3% da população) sofrem com algum transtorno mental, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS, 2023).
Depressão e ansiedade lideram os diagnósticos:
20 milhões (9,3% da população) têm ansiedade (maior taxa do mundo, segundo OMS).
12 milhões (5,8%) sofrem de depressão.
Suicídios: Mais de 14 mil casos por ano (cerca de 38 por dia), segundo o Ministério da Saúde (2023).
Transtornos mentais são a 3ª maior causa de afastamentos no Brasil. Mais de 200 mil trabalhadores afastados entre 2017 e 2022.
Síndrome de Burnout (esgotamento profissional): Reconhecida pela OMS como doença ocupacional em 2022, teve um aumento de 114% nos afastamentos de 2017 a 2022.
Assédio Moral e Violência Psicológica: 52% dos trabalhadores já sofreram assédio moral (Instituto Locomotiva, 2022).
Júnior Ometto é doutor em psicanálise e professor universitário.