UMA SEDE PARA A APL

Campanha por sede própria da Academia de Letras ganha força

Por Da Redação/JP1 |
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A presidente da APL, Raquel Delvaje.
A presidente da APL, Raquel Delvaje.

Uma articulação inédita colocou em pauta a valorização da literatura e da memória cultural de Piracicaba. O Jornal de Piracicaba, a Gazeta de Piracicaba e a Tribuna Piracicabana lançaram a campanha “Uma casa para a palavra”, iniciativa que busca apoio da sociedade e do poder público para viabilizar uma sede própria para a Academia Piracicabana de Letras (APL).

A proposta vai além da conquista de um espaço físico. A intenção é garantir a preservação do acervo histórico da entidade e criar um ambiente adequado para encontros literários, atividades culturais e formação de novos leitores e escritores. Fundada em 11 de março de 1972, a APL chega aos 54 anos como uma das instituições mais importantes na promoção da cultura local.

Apesar da trajetória consolidada, a Academia ainda não conta com sede própria. Atualmente, parte do acervo está distribuída entre casas de integrantes e espaços cedidos, como a Biblioteca Municipal e o Instituto Histórico e Geográfico. A situação reforça a urgência de um local definitivo que assegure a proteção desse patrimônio e fortaleça a presença institucional da entidade.

A presidente da APL, a professora, escritora e poetisa Raquel Araujo Delvaje, destaca que a mobilização representa um chamado coletivo. “A palavra merece uma casa. Piracicaba merece esse legado”, afirma, ao incentivar o engajamento de educadores, autoridades e da população.

História e relevância cultural

A fundação da Academia Piracicabana de Letras foi marcada por uma solenidade emblemática, realizada no Salão Magno da Faculdade de Odontologia, na rua Dom Pedro II. O evento reuniu autoridades, representantes culturais e convidados, tornando-se um dos momentos mais simbólicos da história cultural do município.

Desde então, a entidade promove debates, lançamentos de livros, encontros literários e ações voltadas ao incentivo da escrita, especialmente entre novos autores. Hoje, a APL é composta por 40 acadêmicos, cada um ocupando uma cadeira vinculada a um patrono — personalidade de destaque na literatura e na cultura.

Como funcionam as cadeiras

Inspirada no modelo da Academia Francesa, a APL mantém um sistema de cadeiras fixas, ocupadas por acadêmicos e seus respectivos patronos. Essas figuras foram definidas por uma comissão durante a gestão da ex-presidente Maria Helena Corazza, responsável por estruturar a instituição nesse formato.

O ingresso de novos membros ocorre por meio de edital público, aberto sempre que há vacância. Os candidatos são avaliados com base na produção literária e na contribuição cultural, garantindo renovação e continuidade ao trabalho da entidade.

Segundo Raquel Delvage, o processo assegura transparência. “O edital permite que novos escritores tenham a oportunidade de integrar a Academia, mantendo viva a produção literária e a representatividade cultural”, explica.

Mobilização e impacto

A união dos três jornais amplia o alcance da campanha e fortalece o debate sobre a importância da cultura na cidade. A expectativa é de que a iniciativa sensibilize a sociedade e o poder público para a necessidade de um espaço próprio para a Academia.

Com sede própria, a APL poderá expandir projetos como oficinas, saraus e eventos literários. A entidade também está à frente da Festa Literária de Piracicaba (Flipira), que atrai escritores, editoras e visitantes de diversas regiões do país.

Outro destaque é o trabalho junto às escolas, incentivando a leitura e revelando novos talentos — uma atuação que já rendeu reconhecimento público, incluindo moções de aplauso do Legislativo.

Tradição e presença no digital

Mesmo com as transformações tecnológicas, a APL mantém a leitura como base de sua atuação, ampliando seu alcance por meio de plataformas digitais, como site, blog e redes sociais. Entre as iniciativas consolidadas estão o Diploma Thales Castanho de Andrade, voltado a crianças e adolescentes, a Revista da APL e a página semanal “Prosa e Verso”, publicada há 26 anos.

Com a campanha “Uma casa para a palavra”, a Academia Piracicabana de Letras busca agora transformar mobilização em conquista concreta, garantindo um espaço definitivo para preservar sua história e projetar o futuro da literatura em Piracicaba.

Galeria Acadêmica

  • Alexandre Sarkis Neder, Cadeira n° 13. Patrono: Dario Brasil;
  • Angela Maria Furlan, Cadeira n° 25. Patrono: Francisco Lagreca;
  • Antonio Carlos Fusatto, Cadeira n° 6. Patrono: Nélio Ferraz de Arruda;
  • Antonio Filogenio de Paula Junior, Cadeira n° 12. Patrono: Ricardo Ferraz de Arruda Pinto;
  • Aracy Duarte Ferrari, Cadeira n° 16. Patrono: José Mathias Bragion;
  • Armando Alexandre dos Santos, Cadeira n° 10. Patrono: Brasílio Machado;
  • Barjas Negri, Cadeira n° 5. Patrono: Leandro Guerrini;
  • Bianca Teresa de Oliveira Rosenthal, Cadeira n° 31. Patrono: Victorio Angelo Cobra;
  • Carmelina de Toledo Piza, Cadeira n° 29. Patrono: Laudelina Cotrim de Castro;
  • Carmen Maria da Silva Fernandez Pilotto, Cadeira n° 19. Patrono: Ubirajara Malagueta Lara;
  • Cássio Camilo Almeida de Negri, Cadeira n° 20. Patrono: Benedito Evangelista da Costa;
  • Christina Aparecida Negro Silva, Cadeira n° 17. Patrono: Virgínia Prata Gregolin;
  • Edson Rontani Júnior, Cadeira n° 18. Patrono: Madalena Salatti de Almeida;
  • Elda Nympha Cobra Silveira, Cadeira n° 21. Patrono: José Ferraz de Almeida Junior;
  • Eliete de Fátima Guarnieri, Cadeira n° 22. Patrono: Erotides de Campos;
  • Elisabete Jurema Bortolin, Cadeira n° 7. Patrono: Helly de Campos Melges;
  • Evaldo Augusto Vicente, Cadeira n° 23. Patrono: Leo Vaz;
  • Ivana Maria França de Negri, Cadeira n° 33. Patrono: Fernando Ferraz de Arruda;
  • Jamil Nassif Abib (Mons.), Cadeira n° 1. Patrono: João Chiarini;
  • João Baptista de Souza Negreiros Athayde, Cadeira n° 34. Patrono: Adriano Nogueira;
  • João Umberto Nassif, Cadeira n° 35. Patrono: Prudente José de Moraes Barros;
  • Leda Coletti, Cadeira n° 36. Patrono: Olívia Bianco;
  • Lídia Varela Sendin, Cadeira n° 8. Patrono: Fortunato Losso Netto;
  • Marcelo Batuíra da Cunha Losso Pedroso, Cadeira n° 15. Patrono: Archimedes Dutra;
  • Marcelo Pereira da Silva, Cadeira n° 28. Patrono: Delfim Ferreira da Rocha Neto;
  • Maria de Lourdes Piedade Sodero Martins, Cadeira n° 26. Patrono: Nelson Camponês do Brasil;
  • Maria Helena Vieira Aguiar Corazza, Cadeira n° 3. Patrono: Luiz de Queiroz;
  • Maria Madalena Tricânico de Carvalho Silveira, Cadeira n° 14. Patrono: Branca Motta de
    Toledo Sachs;
  • Marisa Amábile Fillet Bueloni, Cadeira n° 32. Patrono: Thales castanho de Andrade;
  • Marly Therezinha Germano Perecin, Cadeira n° 2. Patrono: Jaçanã Althair Pereira Guerrini;
  • Mônica Aguiar Corazza Stefani, Cadeira n° 9. Patrono: José Maria de Carvalho Ferreira;
  • Myria Machado Botelho, Cadeira n° 24. Patrono: Maria Cecília Machado Bonachela;
  • Newman Ribeiro Simões, Cadeira n° 38. Patrono: Elias de Mello Ayres;
  • Paulo Celso Bassetti, Cadeira n° 39. Patrono: José Luiz Guidotti;
  • Raquel Delvaje, Cadeira n° 40. Patrono: Barão de Rezende;
  • Shirley Brunelli Crestana, Cadeira n° 27. Patrono: Salvador de Toledo Piza Junior;
  • Valdiza Maria Capranico, Cadeira n° 4. Patrono: Haldumont Nobre Ferraz;
  • Vitor Pires Vencovsky, Cadeira n° 30. Patrono: Jorge Anéfalos;
  • Waldemar Romano, Cadeira n° 11. Patrono: Benedicto de Andrade;
  • Walter Naime, Cadeira n° 37. Patrono: Sebastião Ferraz.

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