A capitalização do lucro e a socialização do prejuízo.
Dizem por aí que crime não compensa. No caso Master, compensa sim, desde que venha com planejamento, padrinho forte e aquele “jeitinho” bem lubrificado.
Não é mais bandido correndo da polícia, é quase uma empresa: tem setor, tem hierarquia e, se bobear, até cafezinho na reunião.
Mas vamos direto ao ponto: o que é corrupção? Falando claro, é meter a mão no que é de todo mundo e dar um jeito de sair bonito na foto. É quando quem deveria cuidar vira cúmplice, quem deveria fiscalizar finge que não viu e quem rouba ganha até respeito em certos círculos. Já estratégia é o plano, o mapa do caminho. Quando junta os dois, vira algo mais sofisticado: não é só roubar, é saber como roubar… e escapar depois.
E o tal do caso Master entra aí como uma aula prática, dessas que ninguém pediu, mas todo mundo paga. Nada de improviso. O negócio é bem armado: junta operador, facilitador, investidor esperto (ou ganancioso), e monta-se a engrenagem. Promessa de lucro fácil? Tem. Conversa bonita? Também. E gente acreditando que descobriu o segredo da riqueza? Aos montes.
A sacada mais esperta é simples: quanto mais gente dentro, melhor. Não é espírito de equipe, é proteção mesmo. Porque quando todo mundo tem um pedacinho da culpa, ninguém quer abrir o bico. Fica aquele silêncio conveniente, tipo roda de amigos onde todo mundo sabe do erro, mas ninguém comenta pra não sobrar pra si.
E a impunidade? Ah, essa não vem por acaso, não. Ela é planejada. Entra autoridade no meio, às vezes fazendo vista grossa, às vezes participando mesmo. Rola favor daqui, vantagem dali, e pronto: cria-se um ambiente onde o errado vira rotina e o certo vira exceção.
Quando a bomba estoura, vira um Deus nos acuda. Quem é o culpado? Difícil dizer. Tem mentor, operador, fiscal distraído, investidor que quis ganhar demais… no fim, tá todo mundo meio enrolado. E aí aparece aquela solução bem brasileira: “vamos aliviar”, “vamos negociar”, “vamos ver isso depois”. Traduzindo: deixa quieto que complica menos.
Só que a conta não desaparece. Ela só muda de endereço. E adivinha pra quem vai? Pro povo. Sempre pro povo. É aí que entra a velha máxima: o lucro é de poucos, o prejuízo é de todos. O rombo vira problema público, e quem nunca viu um centavo do esquema acaba pagando a fatura.
E o pior: o sistema aprende. Cada escândalo vira aprendizado pro próximo. Ajusta aqui, melhora ali, envolve mais gente, fecha mais brecha. Quando você percebe, não é mais exceção, é quase método.
Então fica a pergunta: é um crime perfeito? Talvez não. Mas é esperto o suficiente pra continuar acontecendo.
E como evitar que isso vire rotina? Menos conversa e mais ação: transparência de verdade, fiscalização que funcione, punição que doa no bolso e na liberdade. E, principalmente, parar com essa ilusão de dinheiro fácil, porque é aí que começa a armadilha.
No fim, a moral da história é bem direta: quando a corrupção vira estratégia, o prejuízo sempre cai no colo de quem não teve nada a ver com o esquema. E assim segue o jogo, poucos ganham, muitos pagam, e o roteiro se repete.
No “golpe dos mestres”, o nome pode mudar, mas a prática continua a mesma: capitalizam o lucro… e socializam o prejuízo.
Walter Naime é arquiteto-urbanista e empresário.