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Obrigatória, NR-1 entra em vigor em maio e amplia foco na saúde

Por Priscila Medeiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Master terapeuta de Reprocessamento Generativo Rafael Félix
Master terapeuta de Reprocessamento Generativo Rafael Félix

As Normas Regulamentadoras (NRs) que estabelecem diretrizes obrigatórias de saúde e segurança no trabalho no Brasil ganham novo destaque em 2026 com a atualização da NR-1, que se torna obrigatória a partir de maio. Considerada a base de todas as demais normas, a regulamentação passa a exigir maior rigor na gestão de riscos ocupacionais, com ênfase também nos aspectos psicossociais no ambiente corporativo.

Criadas na década de 1980 pelo Ministério do Trabalho, as NRs são aplicáveis a empresas públicas, privadas e órgãos públicos. De acordo com dados oficiais, a adoção dessas normas contribuiu para evitar milhões de acidentes e milhares de mortes ao longo das últimas décadas. Atualmente, o país conta com 38 normas ativas, que variam conforme o setor e os riscos das atividades exercidas.

A NR-1, especificamente, estabelece diretrizes gerais para garantir a integridade física e a saúde dos trabalhadores, servindo como referência para as demais regulamentações. Com as atualizações recentes, a norma passa a exigir a implementação contínua do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), ampliando o olhar sobre fatores que impactam não apenas a segurança física, mas também a saúde mental dos trabalhadores.

A nova versão da norma entrará em vigor em 26 de maio de 2026. Empresas que não estiverem adequadas estarão sujeitas a advertências, multas e até interdição das atividades. A fiscalização será realizada por auditores do Ministério do Trabalho e Emprego, com prazos para regularização que podem variar entre 60 e 90 dias após a primeira notificação.

Segundo o master terapeuta Rafael Félix, da Evolutioment, empresa que atua na área de saúde mental corporativa, uma das principais mudanças é a inclusão da análise de riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Isso significa que fatores como pressão excessiva, assédio moral, sobrecarga de tarefas, jornadas prolongadas e falta de reconhecimento passam a ser avaliados como elementos que podem comprometer a saúde dos trabalhadores e a produtividade das empresas.

De acordo com ele, a NR-1 não tem como objetivo analisar individualmente os funcionários, mas sim o ambiente organizacional como um todo. "A norma avalia como o ambiente de trabalho impacta o colaborador, identificando situações que possam gerar estresse, ansiedade ou outros problemas emocionais", explica.

O processo de avaliação pode incluir a aplicação de questionários aos funcionários, com garantia de confidencialidade das informações. A partir dos dados coletados, é possível classificar os níveis de risco e definir estratégias de intervenção, como treinamentos, palestras e programas contínuos de melhoria do ambiente corporativo.

Outro ponto destacado por Rafael é que a responsabilidade pela adequação não se limita a grandes empresas. Qualquer organização com ao menos um funcionário e exposição a riscos ocupacionais deve cumprir as exigências da norma.

O especialista ressalta que a atualização da NR-1 ocorre em um cenário de aumento de afastamentos por problemas de saúde mental. Situações como ansiedade, depressão e síndrome de burnout têm impactado trabalhadores e gerado custos ao sistema previdenciário, o que motivou o reforço das políticas preventivas.

Além das exigências legais, a adequação à norma é vista como estratégica para as empresas. Ambientes mais saudáveis tendem a reduzir afastamentos, melhorar a produtividade e fortalecer as relações de trabalho.

A orientação é que empresas iniciem o quanto antes o processo de adaptação às novas regras, promovendo uma cultura organizacional voltada à prevenção de riscos e ao bem-estar dos trabalhadores.

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