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Nem mãe e bebê escapam: estátua é serrada no Centro de Franca

Por Laís Bachur | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Laís Bachur/GCN
Monumento à Mãe, localizado no cruzamento das ruas Estevão Leão Bourroul e Simão Caleiro, no centro de Franca, depois do vandalismo
Monumento à Mãe, localizado no cruzamento das ruas Estevão Leão Bourroul e Simão Caleiro, no centro de Franca, depois do vandalismo

Nem mesmo um dos símbolos mais afetivos da cidade escapou da ação de criminosos. O tradicional Monumento à Mãe, localizado no cruzamento das ruas Estevão Leão Bourroul e Simão Caleiro, no centro de Franca, teve os braços da figura materna e a perna do bebê arrancados, possivelmente para venda como sucata. Mas curiosamente, a mensagem da obra segue mais viva do que nunca.

A cena, que mistura revolta e incredulidade, acabou ganhando também um significado inesperado: mesmo mutilada, a imagem ainda transmite a essência do amor materno - como se dissesse que, com ou sem braços, mãe continua sendo mãe.

E tem mais: mesmo ferida, a mãe segue “cuidando” de um bebê também machucado. A imagem, que já simbolizava amor, agora parece ganhar um novo significado, o de que, mesmo em pedaços, ainda dá pra acolher, proteger e até ajudar a “curar” o filho que também foi atingido.

A equipe do portal GCN/Sampi esteve no local e constatou que a estrutura da estátua é oca, mas composta por camadas grossas de material, o que indica que as partes foram serradas com algum tipo de ferramenta.

Ou seja: não foi um ato impulsivo — houve esforço, tempo e, intenção.

Para quem passa apressado, o vandalismo pode até passar despercebido. Mas para quem observa com calma, o impacto é imediato.

O entregador Fernando Aurélio, que trabalha na região, contou que só percebeu ao olhar melhor. “Nossa, sério? Eu não tinha visto… Que dó! E eles fazem isso para trocar por migalha, a preço de banana, trocam por qualquer coisinha. Olha o que fazem com um patrimônio… Não estão nem aí.”

Já Juliana Silva, que trabalha em uma clínica, em frente ao monumento, afirma que o vandalismo é recente. “Semana passada ela não estava assim, eu tenho certeza. Foi essa semana. Olha que coisa triste, que dó.”

Instalada há cerca de 70 anos, a estátua sempre foi um marco afetivo da cidade, representando o amor, o cuidado e o sacrifício materno. E, curiosamente, mesmo após a ação criminosa, o simbolismo permanece - talvez até mais forte.

A imagem agora sugere algo quase poético: uma mãe que continua cuidando, mesmo depois de ter sido ferida.

'Menino' também foi mutilado na Estação

Este não é um caso isolado. É o segundo monumento vandalizado em poucos dias na cidade.

No bairro Estação, na Praça “Sabino Loureiro”, outra estátua - 'Menino tirando estepe', também com cerca de 70 anos - teve partes arrancadas recentemente.

A suspeita é de que os materiais, possivelmente de bronze, estejam sendo levados para venda por "preço de banana", como disse Fernando.

A situação chama atenção por um detalhe quase irônico - e revoltante ao mesmo tempo. Peças que carregam décadas de história, cultura e significado acabam sendo destruídas por quem, muitas vezes, não vê valor algum nisso - qualquer quantia já basta.

E assim, pouco a pouco, a cidade vai perdendo partes da sua própria memória.

Comentários

6 Comentários

  • Juarez 22 horas atrás
    AvPM te acha pra te multar e não encontra um bandido destruindo os monumento da cidade.
  • Darsio 23 horas atrás
    Onde será que esses vagabundos vendem o material roubado? Numa farmácia? Numa padaria? No mercadinho do seu Zé? Oras! não sejamos idiotas, pois se existem esses roubos é porque ha sucatas envolvidas. Mas, por qual motivo esses estabelecimentos de sucata não são fiscalizados constantemente e de suurpresa? Lembram do busto de bronze roubado na São Judas? Oras! O recpetor tem de ser muito, mas muito idiota para não perceber que se tratava de algo roubado.Tá na cara que tem gente graúda metida nisso. Ou a polícia e demais autoridades são muito inconpetentes ou ha gente do meio envolvida nesses roubos. E, sinceramente, creio que estamos mais para a segunda explicação.
  • ISRAEL PEREIRA 1 dia atras
    Alguém notificou a prefeitura e a polícia?... Olha tem a contabilidade na esquina, na rua Simão... lá tem uma câmera que pega a praça além da residência número 1275 na rua stevão também tem uma câmera.... Se a polícia não agir logo as imagens podem assumir pra sempre... Quem fez isso precisa pagar... Duvido que seja morador de rua pela forma que está o corte a pessoa usou um equipamento elétrico pesado e caro pra isso... Isso não pode ser negligênciado.
  • Rodrigo 1 dia atras
    Vamos continuar tranquilos. É só o início do que virá. Enquanto estivermos tranquilos e passivos diante dessa situação que já vem à tempos, nada vai mudar. Vivemos hoje uma situação de completa impotência diante do problema que se instalou na nossa cidade à muito tempo. Todo mundo já sabe qual é o problema, inclusive a administração municipal, que é a quantidade de \" pessoas em situação de rua\", vulgo morador de rua, nóia, usuário e qualquer outra terminologia politicamente correta usada atualmente. Desde quando foi assinado aquele termo com o Ministério Público, ainda na gestão do Gilson, a administração municipal ficou impossibilitada de tomar qualquer atitude mais firme com essa população. O que eles podem fazer é simplesmente perguntar se essas pessoas querem ser acolhidas ou tratadas, se não quiserem, não podem fazer mais nada porque estão obrigadas a cumprir o termo com o Ministério Público. Dito isso, fica a pergunta: porque o Ministério Público só impõe o que não se pode fazer, más não dá nenhuma solução que possa ser feita?
  • Matheus Silva 2 dias atrás
    E a polícia e a guarda civil, não farão nada? Vai chegar um momento onde não vai sobrar nada da história da cidade, até o Museu estão invadindo. Por que não fizeram operação no dia dos furtos? Se tivessem feito uma varredura nos depósitos, teriam encontrado! Se eles vendem, é porque tem alguém recebendo. Um absurdo!
  • Dirceu 2 dias atrás
    Pior que quem rouba é quem compra.... os ferro velhos compram esses materiais sabendo que são fruto de roubo e continuam impunes. Enquanto a polícia não fizer um trabalho de verdade contra esses receptadores, vai continuar essa baderna.