Segundo dados do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, conseguidos com exclusividade pelo Jornal de Jundiaí, dez crianças estão atualmente disponíveis para adoção em Jundiaí, frente a 206 pessoas habilitadas e cadastradas que aguardam na fila para adotar. Em média, são cerca de 20 pretendentes para cada criança apta.
Apesar dos interessados, a conta não fecha por vários motivos. Um deles é que a procura tem sido barrada pela preferência nas escolhas. Do total destas crianças que procuram por um lar, uma tem entre três e oito anos, três estão na faixa de oito a 12 anos e seis tem mais de 12 anos. A opção tem sido pelos bebês ou menores de três anos..
Para a psicóloga judiciária especializada em adoção, Silmara Pincinato Silva, o processo de adoção envolve diversas etapas. “Toda pessoa maior de 18 anos pode se habilitar, independentemente do estado civil ou orientação sexual. Em Jundiaí, o interessado deve procurar o fórum, apresentar documentos e passar por cursos de preparação, além de avaliação psicossocial”, afirma.
Segundo ela, o principal desafio está no chamado descompasso entre o perfil desejado pelos adotantes e o das crianças disponíveis. “Isso melhorou muito nos últimos anos, mas ainda existe. Muitos pretendentes ampliaram o perfil, aceitando crianças mais velhas ou grupos de irmãos, mas ainda há resistência. Nosso papel é conscientizar sobre a realidade da adoção, sem impor escolhas”, destaca.

Silmara Pincinato Silva diz que habilitados ampliaram leque de perfil de crianças
Além da preparação dos pretendentes, o trabalho também envolve o acompanhamento das crianças acolhidas. Em Jundiaí, as crianças e adolescentes disponíveis estão acolhidos em três serviços da região. “É fundamental que elas recebam suporte para lidar com traumas e estejam preparadas para o processo de adoção”, completa a especialista.
Espera que valeu a pena
A história do casal Rodolfo Trinquinato Camilloni e Alessandra Cortez Trinquinato ilustra o caminho, muitas vezes longo, até a adoção. Após tentativas frustradas de fertilização, eles iniciaram o processo em 2017 e só foram habilitados em 2019. “Foram anos de espera. A cada três anos precisávamos revalidar o cadastro. Em 2025, pensamos em desistir, mas de última hora resolvemos fazer mais uma atualização”, conta Rodolfo.
O que ele não imaginava é que esse seria um dos momento mais decisivos do processo. A pequena Alice Cortez Trinquinato Camilloni chegou à família com apenas quatro meses de idade e hoje tem 1 ano e três meses. “A gente sempre diz que o processo de adoção é uma gestação sem prazo para acabar. Quando ela chegou, parecia que todo o tempo de espera tinha desaparecido e tudo valeu a pena”, relata.
O pai descreve a experiência com emoção. “É um sonho realizado. Temos muito amor por ela. Todo dia é uma descoberta nova, ver ela andando sozinha, falando, acompanhar cada etapa do desenvolvimento é incrível”, ressalta.
Pelo site https://adotar.tjsp.jus.br/Adocao/PassoPasso é possível conhecer os passos de como entrar no processo de adoção.