A Raízen, joint venture formada pela Shell e pela Cosan, protocolou no Tribunal de Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas financeiras, dentro de um endividamento total que chega a R$ 72 bilhões. Caso seja homologado, o processo pode se tornar a maior recuperação extrajudicial já registrada no Brasil.
O plano apresentado pela companhia prevê a suspensão temporária do pagamento de juros por 90 dias, período em que a empresa pretende negociar com os credores os termos finais da reestruturação financeira. Entre as alternativas em discussão estão o alongamento dos prazos de pagamento, a conversão de parte da dívida em participação acionária e eventuais reduções no valor devido.
Segundo a empresa, credores que representam cerca de 40% do total da dívida já aderiram à proposta. Pela legislação brasileira, a companhia terá até 90 dias para obter o apoio da maioria necessária para que o acordo seja homologado pela Justiça.
Grande parte do endividamento está distribuída entre instituições financeiras e investidores do mercado de capitais, incluindo detentores de debêntures e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs). Entre os maiores credores estão o Bank of New York Mellon, com cerca de R$ 18,7 bilhões em créditos, além da True Securitizadora, da Pentágono DTVM e do BNP Paribas. Juntos, esses grupos concentram mais de R$ 42 bilhões em créditos da companhia.
Nas negociações com os credores, a Raízen avalia converter até 40% da dívida em participação acionária, numa tentativa de reduzir sua alavancagem financeira. Atualmente, a relação entre dívida líquida e Ebitda da companhia gira em torno de 5,3 vezes, com dívida líquida estimada em R$ 55,3 bilhões.
Como parte da tentativa de reorganização, os controladores indicaram a possibilidade de um aporte de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, fundador da Cosan. Ainda assim, executivos do grupo reconhecem que a solução da crise financeira depende de um acordo mais amplo com os credores.
Criada em 2011, a Raízen reúne os negócios de açúcar e etanol da Cosan com as operações de distribuição de combustíveis da Shell no Brasil, consolidando-se como uma das maiores empresas do setor de energia e biocombustíveis do país. O pedido de recuperação extrajudicial não inclui compromissos operacionais da companhia, como pagamentos a fornecedores.