A perspectiva de uma safra volumosa em 2026/27 tem influenciado o mercado de café no Brasil. De acordo com levantamento divulgado pelo Cepea-Esalq, a expectativa de produção elevada, que pode ultrapassar 60 milhões de sacas pela primeira vez desde 2020/21, pressionou as cotações, especialmente do arábica negociado em São Paulo.
Além das projeções otimistas, as condições climáticas contribuíram para esse cenário. Em fevereiro, o volume de chuvas foi considerado positivo para o desenvolvimento das lavouras. Nas principais regiões produtoras de arábica, os acumulados superaram 200 milímetros no mês. Já nas áreas de robusta, apesar de a precipitação ter sido inferior à registrada em janeiro, o índice ainda favoreceu a manutenção das plantações. O período é estratégico para a fase final de enchimento dos grãos, etapa que exige atenção dos produtores.
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No mercado físico, os reflexos foram imediatos. Entre 30 de janeiro e 27 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do café arábica tipo 6, posto na capital paulista, caiu 14,18%, encerrando a R$ 1.797,61 por saca de 60 quilos. O robusta tipo 6, peneira 13, no Espírito Santo, também registrou retração de 14,8% no mesmo intervalo, fechando a R$ 1.032,75 por saca.
No comércio exterior, os embarques recuaram no início do ano. Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil indicam que o Brasil exportou 2,78 milhões de sacas em janeiro de 2026, volume 30,8% menor que o registrado no mesmo mês do ano anterior, o menor patamar para janeiro desde a temporada 2017/18. No acumulado de julho de 2025 a janeiro de 2026, as exportações somam 23,4 milhões de sacas, queda de 22,5% frente ao ciclo anterior.
Mesmo com o recuo nos preços, pesquisadores avaliam que o atual nível das cotações ainda é historicamente elevado. O mercado segue atento às condições climáticas dos próximos meses, que serão determinantes para confirmar o potencial produtivo da nova safra.