O avanço do pedágio eletrônico, conhecido como free flow, trouxe mais fluidez às rodovias brasileiras. Sem praças físicas de cobrança, o sistema identifica a placa do veículo e permite que o pagamento seja feito posteriormente, de forma digital. Mas junto com a praticidade, cresceu também o número de golpes virtuais envolvendo a quitação da tarifa.
Levantamento da empresa de segurança Kaspersky apontou a criação de mais de 50 domínios fraudulentos entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, simulando páginas oficiais de pagamento. Já a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) alerta para a circulação de anúncios patrocinados e sites falsos que imitam concessionárias.
Além disso, o sistema já acumula mais de 1 milhão de multas aplicadas, muitas por desconhecimento das regras, um cenário que acaba favorecendo a ação de golpistas.
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Como funciona o golpe
O esquema começa, geralmente, com uma simples busca na internet. Ao procurar “pagar pedágio free flow”, o motorista pode se deparar com links patrocinados ou páginas muito semelhantes às oficiais.
Esses sites permitem consultar débitos apenas digitando a placa do veículo, exatamente como ocorre nos canais legítimos. A diferença aparece na etapa seguinte: além das informações básicas, podem ser solicitados dados pessoais e bancários desnecessários.
O pagamento costuma ser direcionado para Pix via QR Code ou código copia e cola. Em muitos casos, o destinatário da transferência é uma pessoa física ou empresa com nome fantasia suspeito.
Outra estratégia envolve o envio de boletos impressos para o endereço da vítima ou mensagens por SMS e aplicativos com tom de urgência, mencionando multa por evasão de pedágio, infração considerada grave e que gera cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH), além de multa de R$ 195,23.
Sinais de alerta ao pagar o pedágio
Alguns cuidados reduzem drasticamente o risco de fraude:
- Verifique se o site começa com https:// e apresenta certificado de segurança;
- Evite clicar em links recebidos por e-mail, SMS ou aplicativos de mensagem;
- Desconfie de mensagens com tom alarmista ou prazos muito curtos;
- Confira sempre o nome do destinatário antes de confirmar um Pix;
- Prefira acessar diretamente o site oficial da concessionária, digitando o endereço no navegador.
É importante lembrar que concessionárias não exigem criação de conta obrigatória apenas para pagar a tarifa. A consulta pela placa costuma ser suficiente.
O que fazer se você já foi vítima
Caso o pagamento tenha sido feito em um site falso, a rapidez é fundamental. A primeira medida é comunicar imediatamente o banco ou operadora do cartão para relatar a transação suspeita e solicitar bloqueio preventivo. Também é recomendado alterar senhas de aplicativos bancários e monitorar movimentações financeiras nos dias seguintes.
Registrar um boletim de ocorrência, presencialmente ou pela delegacia eletrônica do seu estado, ajuda a formalizar o caso. A denúncia pode ainda ser feita ao Procon da sua cidade e à concessionária responsável pelo trecho percorrido.
A recuperação do valor perdido, no entanto, nem sempre é garantida, já que golpistas costumam utilizar contas de terceiros e alterar rapidamente seus registros digitais.
Como pagar o free flow com segurança
Cada concessionária administra seus próprios canais de cobrança. Além dos sites oficiais, algumas oferecem:
- Totens de autoatendimento nas rodovias;
- Aplicativos próprios;
- Atendimento via WhatsApp verificado;
- Pontos físicos credenciados, como postos e restaurantes.
Outra alternativa é contratar uma tag eletrônica de pedágio, vinculada a empresas reconhecidas no mercado, o que reduz a necessidade de pagamentos manuais e diminui o risco de cair em páginas falsas.
Com o crescimento do pedágio eletrônico no Brasil, a atenção do motorista precisa acompanhar a evolução da tecnologia. Antes de efetuar qualquer pagamento, vale dedicar alguns minutos para conferir a autenticidade do site, um cuidado simples que pode evitar prejuízos financeiros e dor de cabeça.