A impressão que se tem do Psicopata normalmente está relacionada a do serial killer, porém, não é bem assim... psicopatas podem estar bem próximos a nós, em qualquer lugar!
Quem nunca ouviu uma história sobre pessoas que perderam tudo porque se relacionaram com alguém que “inesperadamente” os prejudicou, roubou e até matou.
E não se assuste se este homem inescrupuloso seja, paradoxalmente, inteligente, charmoso, carinhoso, atencioso, sedutor, etc, no começo…
Psicopatia. Assunto polêmico e que traz muita curiosidade. Infelizmente, assistimos e ouvimos constantemente notícias estarrecedoras de como algumas pessoas agem com suas próprias vidas ou com a vida dos outros. A psicopatia não é um assunto tratado com a devida atenção, mesmo porque ainda existe um mito de que psicopatas só existem nos cinemas, só atingem pessoas de determinada classe ou em outros países. Aliás, existem outros mitos, como achar que psicopatas são loucos ou que seja fácil reconhecê-los.
Psicopatas não são pessoas loucas, como muitos dizem e nem sempre matam. A loucura refere-se à saúde mental, enquanto os psicopatas possuem um transtorno de personalidade.
Estamos assistindo, aterrorizados, um número crescente de crimes passionais que podem ou não ser cometidos por psicopatas, uma vez que estes não se utilizam apenas da violência física.
O entendimento da psicopatia deve ser abrangente, pois estamos tratando de um conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos e ligados à emoção e aos relacionamentos. Os psicopatas possuem uma disfunção ligada ao que chamamos emoções sociais (amor, vergonha, empatia, remorso, culpa, desejo por justiça, entre outras). Psicopatas são considerados normais à primeira vista, mas aos poucos mostram alto grau de egocentrismo e desonestidade; possuem prazer em se aproveitar dos outros em todos os sentidos, além de outras características perigosas ao convívio humano, como por exemplo, o fato de não se importarem com o sofrimento das pessoas.
A maioria deles é do sexo masculino e são pessoas agradáveis, simpáticas, disponíveis e excelentes no começo de qualquer tipo de relação, pois isso faz parte da “trama”, entretanto, depois de ganharem a confiança - uma vez que isso facilita a manipulação - os problemas começam. Por serem insensíveis aos sentimentos das pessoas e impulsivos, se revelam a um dado momento, mas o complicador é que esta fase normalmente se dá quando eles já “amarraram” emocionalmente e irreversivelmente a vítima.
Entretanto, é importante ressaltar que estas são características e que, observá-las não é o suficiente para identificar um psicopata com precisão. Torna-se necessário que um profissional habilitado e competente em saúde mental o faça, mesmo porque psicopatas sabem enganar e manipular as pessoas de forma eficiente.
O mundo atual é um “facilitador” do aumento das psicopatias e de outros distúrbios psíquicos. Torna-se, portanto, imprescindível que você busque conhecimento sobre este assunto e use métodos criteriosos para avaliar com quem vai ter contato ou se relacionar, sob qualquer esfera, uma vez que isso - a despeito de emoções ou até de necessidades causadas por carência, ilusão ou fases - pode causar danos irreversíveis a você, a quem você ama ou está próximo (filhos, familiares, amigos).
Infelizmente, a psicopatia não tem cura, mas a Terapia pode ajudar no gerenciamento dos comportamentos agressivos e impulsivos e a medicação (desde que prescrita e acompanhada por médico especialista), pode também auxiliar na diminuição de riscos e melhorar o funcionamento social. Um dificultador é que pacientes com traços psicopáticos normalmente não sentem necessidade de mudança, não veem seus comportamentos como problemáticos, então, a busca por ajuda é rara.
Júnior Ometto é doutor em psicanálise e professor universitário.