ARTIGO

Um cantinho para a APL

Por Ivana Maria França de Negri |
| Tempo de leitura: 3 min

A APL – Academia Piracicabana de Letras – já existe há mais de 50 anos. Em março de 2026 completará 54 anos. Fundada em 11 de março de 1972 por João Chiarini, declarada de utilidade pública pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo através da Lei nº 5.963 de 02 de dezembro de 1987.  Mas até hoje não conseguiu uma sede, uma salinha que seja, para abrigar seu acervo, moções e láureas recebidas, livros, documentos, e tantos outros itens acumulados da FLIPIRA – Festa Literária de Piracicaba, que realiza anualmente com outras instituições literárias e prefeitura.

Reuniões são realizadas em sedes de outras entidades como a Biblioteca, Museu, IBA, IHGP, mas nunca teve um cantinho “pra chamar de seu”.
Muitas instituições já foram contempladas ao longo dos anos com espaços culturais, mas a Academia ainda não teve esse privilégio. Talvez Literatura não seja prioridade, não é um segmento que atrai as pessoas. A Literatura é silenciosa, introspectiva, e ler e comprar livros não é o forte dos brasileiros, que preferem shows, orquestras, espetáculos variados e grandes festas populares.

A Academia age sem alardes, incentivando novos escritores em oficinas que existem há mais de 30 anos.  Vai nas escolas realizar palestras, divulgar lendas e personagens famosos de Piracicaba, tem vários projetos como o Viajando na Leitura que dispõe de geladeirotecas espalhadas pela cidade, sempre abastecidas, onde as pessoas podem retirar, trocar ou doar livros. Também o Projeto Livro com Pezinhos incentiva a circulação de livros infantis e já distribuiu milhares de exemplares ao longo de 15 anos de existência. Faz assessoria para montagem de bibliotecas escolares.

A APL publica anualmente a Revista da Academia Piracicabana de Letras, com produção dos acadêmicos, já em sua 22a edição. Organiza saraus, oficinas e palestras em escolas, um trabalho voluntário dos escritores.

Mantém a página Literária Prosa e Verso, há 25 anos, na Tribuna Piracicabana  para mostrar a produção literária dos escritores da cidade e divulgar eventos.

Também conta com uma página no Facebook, Blog, Instagram e Site.

Acadêmicos são chamados com frequência para serem jurados de concursos de contos, crônicas e poesias. Mas nada disso a fez merecedora de um cantinho.

A Academia Campinense de Letras tem uma sede imensa que lembra um templo grego, onde promove festas, reuniões, congressos, lançamentos de livros e recebe personalidades ilustres. Conta até com uma galeria de artes.

Itu tem a ACADIL- Academia Ituana de Letras - criada em 1992, que também  tem uma bela sede para eventos, reuniões, lançamentos de livros e para abrigar seu acervo, assim como muitas outras cidades menores e com academias fundadas recentemente.

Mas os acadêmicos da APL não vão desistir de batalhar por uma sede, por um lugar próprio, pois literatura, apesar de desprezada, é a base de todas as outras artes.

Num primeiro momento, não precisa ser um templo grego como o da Academia Campinense, nem um Palácio Trianon como o da Academia Brasileira de Letras com sede no Rio de Janeiro, tampouco um casarão Art Déco, projetado pelo arquiteto Jacques Pilon, como a sede da Academia Paulista de Letras.

Um cantinho aconchegante para reuniões, lançamentos de livros, confraternizações e para abrigar o acervo já estaria de bom tamanho!

Ivana Maria França de Negri é escritora.

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