Moradores do Condomínio Reserva do Taquaral I, localizado na Avenida Consuelo Sunege Gibelli, na região da Cidade Judiciária, em Piracicaba, procuraram a redação do Jornal de Piracicaba para relatar transtornos causados pelo tráfego intenso de caminhões da Coplacana nos arredores do condomínio.
A equipe de reportagem do JP esteve no local na tarde desta segunda-feira (23) para ouvir os moradores e acompanhar a movimentação de veículos na via. Durante o período em que a reportagem permaneceu no condomínio, caminhões foram vistos circulando pelo trecho indicado pelos residentes.
Entre os principais problemas apontados estão barulho durante a madrugada, excesso de poeira — incluindo pó de sílica —, tremores nas residências com surgimento de trincas e rachaduras, risco de acidentes devido à proximidade dos caminhões com o muro do condomínio e acúmulo de terra na área de lazer, piscina e espaço social em dias de maior movimento.

De acordo com os moradores, a via utilizada pelos caminhões é uma estrada particular. Eles afirmam que há um projeto de desapropriação para dar continuidade a uma via pública na região, mas apenas parte das desapropriações previstas teria sido concluída até o momento. Segundo os relatos, o acesso atual estaria sendo utilizado sob a justificativa de inexistência de outra alternativa para a empresa.
Paulo Moura, morador do condomínio há dois anos, afirma que o acúmulo de pó decorrente do tráfego dos caminhões resultou em aumento nos custos do condomínio. Segundo ele, os gastos com produtos para manutenção da piscina e materiais de limpeza foram os mais impactados. “O consumo desses produtos aumentou por causa da sujeira constante”, relatou.

Ainda conforme Paulo, em outubro de 2025, por meio do corpo jurídico do condomínio, foi encaminhada uma carta à sede da Coplacana solicitando a realização de uma reunião para tratar dos problemas relatados e discutir possíveis alternativas para o tráfego. De acordo com ele, não houve retorno formal até o momento. Os moradores também pedem apoio da Prefeitura de Piracicaba para a criação de um novo acesso destinado à circulação dos caminhões. A estrada atualmente utilizada teria sido liberada por decisão judicial, sob a justificativa de inexistência de outra via disponível.

Outra moradora ouvida pela reportagem foi Raphaela Lisboa. Ela afirma que os impactos relatados incluem questões de saúde. Segundo a moradora, o excesso de poeira, incluindo pó de sílica, tem afetado a respiração dos moradores. “A quantidade de poeira acumulada é constante. A casa fica suja e a saúde das crianças é afetada, com casos de rinite e sinusite. Alguns vizinhos da quadra 10, que é a área mais afetada, perderam contratos de locação por causa da poeira. Pessoas chegam a fechar contrato e depois cancelam devido à situação”, afirmou.
Yeda Bueno informou que no contrato do imóvel não havia indicação de que a via teria circulação de caminhões. Segundo ela, foi informado apenas que existia uma área verde atrás do condomínio. Após a mudança, moradores passaram a identificar trincas na estrutura das residências. “Minha casa já precisou de dois reparos por causa de rachaduras além das trincas”, disse. Ela também relatou que, segundo avaliação técnica contratada por moradores, os tremores podem estar relacionados à passagem frequente de veículos de carga.

O morador Luis Anselo afirmou que mantém as janelas fechadas durante o dia para evitar a entrada de poeira. “Fica difícil até para receber visitantes”, declarou. Ele também relatou que representantes da Coplacana estiveram no local em outras ocasiões para conversar com os moradores e afirmaram ter preocupação com a questão social. Segundo ele, as conversas não resultaram em mudanças na dinâmica do tráfego.
Adriana de Aguiar afirmou que os moradores não são contrários à atuação da empresa, mas pedem providências para reduzir os impactos. “Estamos tendo gastos elevados no condomínio e convivendo com riscos. Alguma solução precisa ser adotada”, disse.
Marcos Vinícius, um dos representantes do condomínio, afirmou que os problemas são enfrentados há cerca de dois anos, período que coincide com o aumento da circulação de caminhões na via. Segundo ele, os moradores estão dispostos ao diálogo para buscar uma solução conjunta. Ele também relatou que a área de brinquedos e leitura das crianças tem sido afetada pelo acúmulo de poeira, o que tem reduzido a utilização do espaço por parte das famílias.
Os moradores defendem a definição de um acesso alternativo para os caminhões ou a adoção de medidas que reduzam os impactos na área residencial, como controle de poeira e restrição de horários. Eles afirmam que aguardam posicionamento formal da empresa e do poder público.
O Jornal de Piracicaba ouviu a Coplacana, que enviou a seguinte nota:
Nota de Esclarecimento sobre o tráfego no acesso ao COPLACAMPO.
A COPLACANA (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), em respeito aos moradores das áreas adjacentes ao COPLACAMPO, localizado no bairro Taquaral, em Piracicaba/SP, vem a público esclarecer o que se segue abaixo. O complexo da Unidade de Grãos opera no mesmo recinto há mais de 30 anos, em área estratégica para o recebimento de grãos e o desenvolvimento econômico de Piracicaba/SP.
A Cooperativa possui decisão judicial de 1º Grau no Processo Digital número 1011047-22.2024.8.26.0451, que autoriza e garante o livre tráfego de caminhões e veículos pela Estrada Municipal (via pública), rota de acesso à sua unidade. Ciente da recente expansão urbana ao entorno, a COPLACANA tem investido, por iniciativa própria, em medidas para reduzir os impactos aos vizinhos, tais como: umidificação constante: operação de caminhão-pipa em ciclo contínuo para controle da poeira; realização de cascalhamento da via; orientação rigorosa para redução de velocidade e ruído no trecho residencial.
A COPLACANA reitera que mantém seu compromisso de somar forças com a população para reforçar com o Poder Público a execução das obras viárias.
A Cooperativa permanece aberta ao diálogo, prezando sempre pela convivência harmônica e pelo progresso de Piracicaba/SP e de toda a comunidade.