ARTIGO

Pelo direito de defender os animais

Por Rubinho Vitti |
| Tempo de leitura: 2 min

É bem comum que, após um caso de crime de violação dos direitos dos animais ganhar fama e viralizar na internet, também venham à tona questionamentos sobre os motivos de tanta comoção com os bichos em comparação a casos que envolvem seres humanos.

Bom, se você mora no Brasil ou tem contato com o país, provavelmente já deve ter ouvido falar no caso do cachorro Orelha, morto em Florianópolis com requintes de crueldade.

O cão comunitário, que alegrava a praia da Barra e os moradores e turistas que por lá passavam, virou tema de rodas de conversa, vídeos nas redes sociais e reportagens de jornais.

Pudera. Conforme relatam as informações apuradas por jornalistas, integrantes de grupos de proteção animal e pela própria polícia, adolescentes teriam agredido de forma cruel o cão, já idoso, que ficou agonizando por muito tempo antes de ser resgatado e, por fim, morrer.

Na internet, na maré contrária de solidariedade e revolta que assolou a todos diante do fato, algumas pessoas questionam por que as agressões aos animais sensibilizariam mais do que as cometidas contra seres humanos.

É interessante notar que esse tipo de questionamento aparece justamente quando, vez ou outra, a ação covarde de humanos contra bichos ganha, enfim, um espaço adequado na imprensa e no cotidiano das pessoas.

Não, as agressões aos animais não sensibilizam mais do que as cometidas contra seres humanos. Se assim fosse, não haveria rodeios, não veríamos os centros de zoonoses lotados de cães e gatos, muito menos vira-latas perambulando pelas ruas das cidades, muitas vezes machucados.

Basta abrir os jornais e presenciar a violência contra humanos sendo noticiada cotidianamente, além de outros casos midiáticos de violência contra pessoas ganhando repercussão igual ou até maior do que o caso Orelha.

É claro que mulheres são violentadas anonimamente e crianças abandonadas sofrem violência sem que saibamos. Isso não inviabiliza que bichos, como o Orelha, possam ser defendidos de forma aberta e pública por nós.

É humanamente mesquinho pensar que a solidariedade e a comoção geral diante da violência cruel que supostamente adolescentes cometeram contra um cão indefeso tenham que ser questionadas pelo simples fato de a vítima não ser humana. Ainda mais quando a história é colocada à frente dos nossos olhos.

Vamos lembrar que cães não falam nem podem se defender. Muito pelo contrário: em boa parte das vezes, um vira-lata vai abanar o rabo e encher de lambidas o primeiro humano que encontrar pela frente, sem saber de suas intenções malignas.

A história da humanidade está intrinsecamente ligada aos bichos, principalmente cães e gatos, que tornam nossa vida melhor e, em muitas ocasiões, preenchem a lacuna deixada por outros humanos.

A comoção com o caso Orelha não tem a ver com campanhas publicitárias ou algoritmos, mas com esse lado desumano da história: adolescentes podem simplesmente atacar e torturar um cão indefeso, como se suspeita neste caso, é acender um sinal de alerta.

O que está acontecendo por trás das cortinas, na vida secreta online dessas mentes jovens tão doentias?

Rubinho Vitti é jornalista.

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