Morreu neste domingo, 15 de fevereiro de 2026, o engenheiro agrônomo e professor Antonio Roque Dechen. Ele tinha 75 anos.
Nascido em 5 de abril de 1950, em Charqueada (SP), era filho de Carlos Dechen e Geny Semmeler Dechen. Desde 1975, era casado com Sonia Carmela Falci Dechen.
Professor titular da Universidade de São Paulo, construiu trajetória de destaque na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), onde exerceu o cargo de diretor entre 2007 e 2010, após ter sido vice-diretor na gestão 1995/1999.
Antonio Dechen também integrou o Conselho Editorial do Jornal de Piracicaba, colaborando com reflexões e contribuições voltadas ao desenvolvimento regional.
Produção científica e formação de quadros
Especialista em Agronomia, com ênfase em Nutrição Mineral de Plantas, dedicou-se ao estudo de análises químicas e à avaliação do estado nutricional das culturas agrícolas. Ao longo da carreira, publicou 108 artigos em periódicos científicos, além de 8 livros e 38 capítulos de livros. Também orientou 18 dissertações de mestrado e 17 teses de doutorado, formando profissionais que hoje atuam na pesquisa, no ensino e no setor produtivo.
Entre 1975 e 1981, foi pesquisador científico do Instituto Agronômico, em Campinas. Mais tarde, coordenou o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Bioenergia e Sustentabilidade da USP, no período de 2007 a 2016. Atuou ainda como conselheiro da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (1996-2000) e integrou o Núcleo de Assessores em Tecnologia e Inovação (NATI) do CNPq. Era Sócio Emérito da Associação Brasileira de Criadores (ABC) e participou do grupo Nutrientes para a Vida, da ANDA.
Gestão universitária e atuação institucional
Na USP, foi membro da Comissão de Planejamento (2008-2010) e participou da Comissão Executiva responsável pelas atividades dos 70 anos da Universidade, em 2004. Presidiu a Comissão do Sesquicentenário de nascimento de Luiz de Queiroz e atuou na Comissão Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Fisiologia e Bioquímica de Plantas entre 1988 e 1995, período em que também assumiu a coordenação. Foi vice-presidente da Comissão de Pós-Graduação da Esalq em 1992 e 1993.
Sua atuação extrapolou os limites da universidade. Foi conselheiro federal do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) entre 2001 e 2003, instituição na qual exerceu a vice-presidência em 2003 e presidiu a Comissão de Educação no mesmo triênio. Também foi vice-chanceler da Comissão do Mérito do CONFEA. No Estado, integrou a Câmara de Agronomia do CREA-SP (1998-2000) e foi vice-coordenador do Fórum de Ensino do CREA-SP entre 1998 e 2000.
Participação em fundações e entidades do agro
Teve papel relevante em fundações ligadas ao desenvolvimento científico e ao agronegócio. Na Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), foi diretor de 1993 a 1999 e diretor-presidente de 1999 a 2006. Atuou como diretor da Fundação Agrisus, presidiu o Conselho Curador da Fealq e integrou o Conselho Curador da Fundação de Apoio à Pesquisa da Universidade de São Paulo (FUSP).
Também participou do Conselho do Agronegócio (COSAG) da FIESP, do Conselho de Notáveis do Prêmio Brasil Agrociência da Agrishow, da Diretoria da Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FBRAPDP) e do Conselho Deliberativo da Associação de Engenheiros Agrônomos do Estado de São Paulo (AEASP). Foi ainda membro da Diretoria da Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (ABEAS).
Formação e reconhecimento
Graduou-se engenheiro agrônomo pela Esalq em 1973. Na mesma instituição, obteve o título de mestre em Agronomia (Solos e Nutrição de Plantas) em 1979 e doutor em 1980. Em 1991, foi homenageado pelo então reitor da USP, Roberto Leal Lobo e Silva, como docente de desempenho relevante.
Recebeu, ao longo da vida, distinções como a Medalha Paulista de Mérito Científico e Tecnológico do Governo do Estado de São Paulo (2001), a Medalha do Mérito do Sistema CONFEA-CREA (2005) e a Medalha Fernando Costa, concedida pela AEASP. Em novembro de 2007, foi eleito Agrônomo do Ano de 2006 pela associação paulista da categoria e, no mesmo período, recebeu o Prêmio IAC como destaque na área de Ensino. Em 2015, tornou-se Cidadão Piracicabano e foi listado pela revista Dinheiro Rural entre as 100 personalidades de destaque do agronegócio brasileiro nos anos de 2015 e 2016.
Para a diretora da Esalq, professora Thais Vieira, o professor deixa legado de dedicação à instituição, à Universidade de São Paulo e à agricultura brasileira, sendo lembrado como exemplo de professor, gestor e formador de gerações.