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Beto do Monte Sul: uma trajetória de sabor e sucesso

Por Luciana Paula | ESPECIAL PARA O JP
| Tempo de leitura: 5 min
Will Baldine
Gilberto Black, o Beto, tem 68 anos: história de sucesso na gastronomia
Gilberto Black, o Beto, tem 68 anos: história de sucesso na gastronomia

Beto do Monte Sul, ou melhor, Gilberto Black, é daqueles personagens que não passam despercebidos. Gaúcho de Arroio do Meio, no Rio Grande do Sul, chegou a Piracicaba em 1990 trazendo na bagagem muito mais do que receitas: trouxe valores. Aos 68 anos, casado com Ana Maria Black, sua grande parceira de vida e de negócios, é pai de três filhos e avô de dois netos. O Monte Sul nasceu da observação, do trabalho diário e do desejo genuíno de servir bem. Mais do que um restaurante, tornou-se um ponto de encontro, uma extensão da casa de muitas famílias piracicabanas.


1. Como surgiu a ideia de abrir um restaurante com um buffet de alta qualidade na cidade em 1998?

Ao olhar para o cenário gastronômico de Piracicaba, eu e minha esposa percebemos algo muito claro: havia qualidade, mas também uma certa zona de conforto. Faltava um espaço que unisse modernidade, saúde, variedade e acolhimento. Foi daí que nasceu o Monte Sul. A proposta nunca foi apenas abrir mais um restaurante, mas oferecer uma experiência completa, com produtos bem selecionados, serviços cuidadosos e um ambiente que acolhe desde quem almoça rápido no dia a dia até quem quer sentar sem pressa com a família.

2. Na época havia poucos (ou nenhum) tipo de restaurante que oferecia esse tipo de serviço com essa qualidade. Pode nos falar como era o mercado de gastronomia em Piracicaba na época?

Com a chegada do Monte Sul, o próprio mercado passou a aprender junto. Acredito que houve, sim, uma mudança no hábito das pessoas fazerem refeições fora de casa e até nos ambientes profissionais. O restaurante se tornou uma opção confiável para quem busca praticidade sem abrir mão da qualidade, e isso impactou diretamente a forma como as pessoas passaram a encarar o ato de comer fora: deixou de ser exceção e virou parte da rotina.

3. Qual foi o segredo desse sucesso estrondoso nesses 28 anos de existência do Monte Sul? 

A gastronomia precisa ter coerência: harmonia entre o que se oferece e o que se consome. E isso passa, obrigatoriamente, pela relação com as pessoas. Estar presente, circular pelo salão, conversar, ouvir, observar — tudo isso faz parte da sua natureza. Não me coloco apenas como anfitrião, mas como alguém que vive o restaurante todos os dias. Sou um empreendedor e entendo que o sucesso nasce dessa proximidade verdadeira com o público, algo que ele faz com naturalidade e respeito.

4.  Vocês abriram um segundo restaurante próximo ao Shopping, mesmo como toda a oferta de restaurantes dentro de um shopping. Pode nos contar como foi essa iniciativa e por que deu muito certo?

O crescimento levou naturalmente à segunda unidade, o Monte Sul JK. A decisão veio da compreensão de que Piracicaba comportava mais um espaço. Regiões como Vila Resende, Nova Piracicaba e imediações mostraram potencial, e a chegada do shopping, na minha visão, veio para somar. Onde tem público e entrega de qualidade, tem sucesso.


5. O que os clientes mais admiram no buffet do Monte Sul é, a par da qualidade da comida, a variedade dos pratos servidos: desde um buffet japonês, a pratos árabes, coreanos, muita salada e carnes de primeira linha. Há quem seja fã das receitas de bacalhau da casa que são imbatíveis. Quem é o chef responsável por todos esses pratos? Quem escolhe o cardápio todos os dias

A variedade gastronômica sempre foi um dos pilares do Monte Sul. Pensar em diferentes paladares, restrições alimentares e preferências fez parte da visão da direção desde o início. Para isso, o restaurante conta com profissionais altamente qualificados, chefs em constante evolução e treinamento. Não existe atendimento de excelência com produto barato demais. Qualidade exige investimento, procedência e cuidado. É um trabalho de família e de equipe. O sucesso é coletivo.


6. Não passa um dia, seja no almoço ou no jantar, que o senhor está lá pessoalmente no restaurante supervisionando tudo. Seria esse o segredo para manter essa qualidade inalterável por 28 anos?

No ramo gastronômico, acredito que nada substitui o profissionalismo presencial. Estar ali, observar o comportamento do público, entender o que agrada e o que pode melhorar. Por isso, não abro mão de estar praticamente todos os dias no restaurante. O público foi conquistado com dedicação, constância e, principalmente, escuta. Ouvir o cliente é essencial, levo isso muito a sério.

7. Pode nos contar qual é o seu prato preferido do seu buffet? E o que os clientes mais elogiam?

(risos) O macarrão artesanal da casa e o peixe grelhado, bem selecionado e preparado com cuidado. Já o coração do público continua batendo forte pelo churrasco. Afinal, quando o assunto é carne de qualidade e procedência, o Monte Sul se tornou referência.

8. Há uma tradição entre muitos piracicabanos que é fazer o almoço de família todos os domingos no Monte Sul. Pode nos contar como consegue clientes tão cativos assim? 

O sucesso passa pela diversificação de opções, que reúne famílias e amigos em um mesmo espaço. Há pratos para todos os gostos e até para quem tem restrições alimentares. As instalações contam, claro, mas sou categórico: uma empresa não pode abrir mão de organização, higiene e atendimento com carinho. Isso é inegociável.

9. Hoje toda sua família e mais um sócio estão envolvidos nesse empreendimento gastronômico. Pode nos contar como isso funciona em família?

Hoje, o Monte Sul é uma empresa 100% familiar. Acredito que minha família carrega uma missão: entregar, todos os dias, o melhor em alimentação. É por isso que se esforçam tanto para agradar, conquistar e surpreender. Ver pessoas satisfeitas, retornando, indicando… isso é contagiante. É o combustível diário que mantém o restaurante vivo.

10. Quem é o Beto? (Ao ouvir a pergunta, Beto não responde de imediato. Ele respira fundo, se emociona e os olhos marejados revelam muito antes mesmo das palavras saírem. Com simplicidade e verdade, ele define quem é com uma frase que carrega toda a essência da sua trajetória): “Sou um cidadão útil que veio para servir pessoas.”.

E talvez seja justamente isso que explique tudo. O gaúcho que chegou a Piracicaba há mais de três décadas não construiu apenas um restaurante. Construiu relações, confiança e uma história marcada pelo trabalho e pelo acolhimento.

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