ARTIGO

Quando o relacionamento acaba, mas o amor ainda existe

Por Fabiane Fischer |
| Tempo de leitura: 3 min

O fim de um relacionamento amoroso dó, dói mesmo. Não importa se foi você quem terminou, se a decisão foi mútua ou se veio como um susto. Quando uma relação acaba, não é só a pessoa que sai da rotina, vão junto planos, hábitos, expectativas e uma versão de futuro que existia na sua cabeça e o mais confuso é perceber que, muitas vezes, o amor ainda está ali, mesmo sem o relacionamento existir.

Muita gente tenta ser forte demais nessa fase, finge que está tudo bem, ocupa todos os horários, se distrai o tempo inteiro. O problema é que a dor não some só porque foi ignorada, ela espera. E geralmente aparece à noite, no silêncio, ou nos momentos em que algo lembra o que foi vivido.

Sofrer é inevitável, mas se torturar é opcional. A tortura começa quando a mente entra em looping. Repassar conversas, imaginar cenários alternativos, pensar no que poderia ter sido diferente. Esse hábito desgasta mais do que o próprio término e nenhuma repetição mental muda o passado, mas pode adoecer o presente.

Um erro comum é transformar o fim em julgamento pessoal, a pessoa começa a se perguntar onde errou, o que faltou, por que não foi suficiente. Relacionamentos acabam por muitos motivos e nem tudo é falha

Outra armadilha é romantizar demais o que terminou, a memória tende a editar o passado, apagando conflitos e deixando só os momentos bons. Isso cria a falsa sensação de que tudo era perfeito e que só você perdeu.

Evitar o contato excessivo também é uma forma clara de autocuidado. Ficar olhando redes sociais, esperando mensagens ou buscando sinais não é maturidade mas autossabotagem. Dar espaço dói, mas é essencial para o cérebro entender que o relacionamento acabou, mesmo que o sentimento demore mais para ir embora.

Cuidar do corpo ajuda mais do que parece, dormir melhor, se alimentar direito, beber água e se movimentar impactam diretamente o emocional. Corpo e mente não funcionam separados e quando o corpo está exausto, a dor emocional cresce e tudo parece mais difícil do que realmente é.

Conversar ajuda, mas escolher com quem conversar é fundamental. Falar sempre com quem alimenta a revolta ou a culpa não traz alívio e o ideal é alguém que escute sem julgar, sem minimizar e sem estimular a autocrítica exagerada. Às vezes, falar menos e observar mais também faz parte do processo.

Outro ponto importante é não colocar prazos irreais para superar, pois cada pessoa tem seu tempo. Comparar seu processo com o do outro só gera ansiedade.

Existem dias bons, dias ruins e dias confusos. Isso não significa retrocesso, significa atravessamento.

Redescobrir pequenos prazeres ajuda a reconstruir a rotina e coisas simples, como um café tranquilo, uma música nova, uma caminhada ou um projeto pessoal, devolvem a sensação de identidade. O relacionamento terminou, mas você continua existindo, com desejos, planos e caminhos próprios.

Superar não é esquecer nem apagar o que foi vivido mas lembrar sem dor, sem aperto no peito e sem vontade de voltar atrás. É aceitar que algo terminou e que, mesmo assim, a vida continua oferecendo novas experiências, novos encontros e versões mais conscientes de si mesmo.

No fim, atravessar o término é aprender a soltar sem se abandonar. É respeitar o tempo do coração sem transformá-lo em punição. Quando a gente para de se torturar, o sofrimento diminui, o aprendizado fica e o amor, aos poucos, encontra um novo lugar dentro da gente.

E por fim, deseje genuinamente ao seu ex parceiro de vida, somente o melhor, pois o universo é sábio e tudo o que você deseja ao outro reverbera e volta para você. Então desejar amor é um ato de amor pelo outro, mas principalmente um ato de amor por si. Essa é uma atitude inteligente, evoluída e desprendida de Ego.

Não é fácil, mas é simples e traz resultados extraordinários. Pense sobre isso!

Com carinho, Fabiane Fischer.

Fabiane Fischer é especialista na recuperação de dependentes químicos, abusos e compulsões.

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