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Hospital Metropolitano fica para o 2º semestre, diz Tarcísio

Por Flávio Paradella | Especial para a Sampi Campinas
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/CBN Campinas
Em entrevista à CBN Campinas, governador confirma atraso no cronograma e detalha projetos de saúde, água e mobilidade que impactam a Região Metropolitana.
Em entrevista à CBN Campinas, governador confirma atraso no cronograma e detalha projetos de saúde, água e mobilidade que impactam a Região Metropolitana.

A construção do Hospital Metropolitano de Campinas, prometido como solução regional para aliviar a pressão sobre a rede pública de saúde, não deve sair do papel no curto prazo. Em entrevista concedida nesta sexta-feira, 6 de fevereiro, à Rádio CBN Campinas, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que a licitação da obra está prevista apenas para o segundo semestre.

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A gente quer iniciar essa construção, fazer a licitação dessa obra no segundo semestre”, declarou o governador, ao confirmar que o projeto ainda enfrenta entraves antes da publicação do edital. A unidade está prevista para ser instalada em área próxima ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e Hospital Mário Gatti, em Campinas.

Segundo Tarcísio, o projeto de engenharia já está concluído, mas ainda há pendências técnicas e administrativas. “O projeto de engenharia está pronto, a gente está ultimando os preparativos com a Prefeitura de Campinas, em função da disponibilidade de terreno, tem algumas questões ainda que precisam ser vencidas”, afirmou durante a entrevista.


Divulgação/Secretaria Estadual de Saúde

O Hospital Metropolitano é tratado pelo governo estadual como uma estrutura estratégica para reorganizar a assistência na Região Metropolitana de Campinas (RMC), concentrando atendimento de alta complexidade e reduzindo a sobrecarga sobre unidades como o Hospital de Clínicas da Unicamp. O projeto prevê uma unidade de grande porte, com até 400 leitos, nos moldes do Hospital Rota dos Bandeirantes, em Barueri.

Ao defender a obra, o governador afirmou que a criação de um hospital regional é essencial diante da demanda crescente. “A grande medida é a construção de mais uma unidade de grande porte, que vai ser o hospital da região metropolitana de Campinas, um hospital de quatrocentos leitos”, disse. Ele também citou o impacto da demanda regional sobre a rede existente: “A região é muito demandada, então a gente precisa”.

Além da saúde, a entrevista abordou a segurança hídrica, tema que vem ganhando peso na agenda regional. O governador alertou para o risco de escassez de água na RMC. “A gente tem uma disponibilidade hídrica muito baixa na região metropolitana de Campinas e uma possibilidade concreta de, na frente, a gente ter um problema sério de abastecimento de água”, afirmou, citando impactos das mudanças climáticas e da urbanização.

Como resposta, Tarcísio voltou a destacar as barragens em fase de execução de obras de Pedreira e Duas Pontes, em Amparo. “Elas somadas vão representar aí o armazenamento de 85 bilhões de litros de água”, disse, ao explicar que as obras devem ampliar significativamente a capacidade de regularização dos rios Jaguari e Camanducaia.

O governador também comentou o Sistema Adutor Regional, que deve levar essa água aos municípios da região. Ele negou que o modelo implique aumento automático de custos para as cidades. “A gente não vai mexer na outorga dos municípios”, afirmou. Em seguida, reforçou: “O município vai pagar mais caro pela água? Não, a não ser que ele queira uma demanda adicional”. Segundo ele, o sistema deve ampliar a oferta em cerca de nove metros cúbicos por segundo, o que, nas palavras do governador, “significa que a gente vai dobrar a vazão disponível no dia de hoje”.

Tarcísio ainda abordou o Trem Intercidades Campinas–São Paulo, cuja obra, segundo ele, começa em março. O governador afirmou que a ferrovia é uma resposta ao limite das rodovias. “Não adianta mais fazer só faixa de rodovia… porque já existe uma questão de limite de capacidade”, disse, defendendo a retomada do transporte sobre trilhos. “São Paulo cresceu às margens dos trilhos… e a gente precisa agora trazer as ferrovias de volta”.

Ele também relacionou o projeto ferroviário ao programa habitacional Novas Centralidades, criado para evitar crescimento urbano desordenado ao longo da linha férrea. “A gente sabe que por estar ao longo da ferrovia, a gente vai ter uma pressão habitacional”, afirmou. A proposta prevê a construção de 23 mil moradias em 14 núcleos, com planejamento integrado. “Esse projeto tá sendo desenvolvido de forma integrada, pra que a gente tenha compatibilidade com o sistema de saneamento, compatibilidade com o sistema de transportes”, disse.

Ao final, Tarcísio afirmou que a estratégia é sincronizar os cronogramas das obras. “A ideia é casar os cronogramas”, resumiu.

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