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Professora Bebel: 'investir no SUS é prioridade'

Por André Thieful |
| Tempo de leitura: 8 min
Divulgação

A deputada estadual Professora Bebel (PT) avalia que a liberação de recursos do Governo Federal para a construção de uma UBS (Unidade Básica de Saúde) de grande porte em Piracicaba representa um avanço no fortalecimento do SUS no município. Em entrevista ao Jornal de Piracicaba, a parlamentar também analisa o cenário eleitoral deste ano, confirma a intenção de disputar a reeleição para a Assembleia Legislativa, critica a condução da política educacional do governo estadual e se posiciona contra o aumento do IPTU aprovado recentemente pela Câmara Municipal. Ao longo da entrevista, Bebel defende investimentos públicos, valorização dos profissionais da educação e maior diálogo com a população, tanto no âmbito estadual quanto local.

Recentemente o Governo Federal anunciou a liberação de uma UBS de grande porte para Piracicaba. A licitação para a construção do prédio já foi aberta. Qual a importância da iniciativa para a saúde pública de Piracicaba?

O  governo do presidente Lula tem trabalhado muito para o fortalecimento do SUS e a construção desta nova Unidade Básica de Saúde (UBS) em Piracicaba, porte V, através da Portaria 8.206, assinada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em setembro do ano passado, libera R$ 5.214.000,00 para que a cidade possa construir esta importante unidade de saúde, na região do Piracicamirim, melhorando em muito o atendimento primário à população. Como embaixadora do governo do presidente Lula em Piracicaba, fico imensamente feliz e agradecida pelo fato de o governo federal continuar investindo em nossa cidade, ajudando a fortalecer o SUS e melhorando continuadamente o atendimento da população. Essa UBS terá uma área construída de cerca de 1.000 m²,  e terá o que há de mais moderno, desde a questão da reutilização da água até a iluminação. Vamos acompanhar de perto a colocação em funcionamento desta nova Unidade, que deverá ficar nos próximos meses, e impedir que o atual prefeito possa fechar UBS´s daquela região da cidade, como tem sido ventilado. Vamos estar juntos com a população.

Este ano, tem eleições. A senhora pretende concorrer novamente ao cargo de deputada estadual ou há possibilidade de se lançar candidata a deputada federal?
Não tenho planos de me lançar candidata a deputada federal. Minha perspectiva é permanecer atuando como deputada estadual, se esta for a vontade dos eleitores. Quero concorrer novamente a este cargo para prosseguir atuando em defesa dos direitos do magistério, do funcionalismo e do povo paulista e meu grande desejo é ser, finalmente, deputada de situação, base de apoio de um governo progressista que derrote o atual governo autoritário de Tarcísio de Freitas.

Como a senhora avalia o seu mandato até aqui e o que pretende realizar ainda neste ano?
Como deputada de oposição, assim como toda a bancada, atuo em condições adversas. No entanto, acredito que nosso mandato popular vem correspondendo aos anseios daqueles que nos elegeram, porque busco cumprir os compromissos que assumimos na campanha, temos propostas, tomamos iniciativas, realizamos um mandato participativo e fazemos a defesa dos direitos, necessidades e interesses dos segmentos sociais que nos apoiam, acreditam no nosso projeto e com os quais mantemos constante diálogo.

Como a senhora avalia a disputa presidencial neste ano?
 A eleição do presidente Lula em 2022, apoiado por uma ampla aliança de partidos e forças sociais, impediu a continuidade de um governo extremista de direita, retrógrado, que levaria o nosso país a um verdadeiro desastre econômico, social e ambiental. As forças que até dezembro de 2022 governavam o país mostraram inteiramente a sua natureza na tentativa de golpe que culminou nos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Essas forças, embora derrotadas eleitoralmente, ainda são fortes, detém grandes bancadas parlamentares, governos nos estados, prefeituras e atuam com base em fakenews, com grandes fontes de financiamento. Não será, portanto, uma eleição fácil. Mas acredito que o presidente Lula será reeleito e poderemos dar continuidade ao projeto de reconstrução do nosso país, inclusive ampliando muito a base de apoio parlamentar e conquistando mais governos estaduais, juntamente com as forças progressistas.

Para a disputa eleitoral no âmbito do governo estadual, quais nomes do PT a senhora acredita estar em condições de disputar o cargo?
Eu acredito que um nome forte, natural, competente e capaz é o do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que por enquanto não se mostra disposto a realizar esta disputa. Há outros nomes viáveis no Partido dos Trabalhadores para o governo estadual, caso, de fato, Fernando Haddad decida não disputar.

Falando sobre política local, a senhora tem se posicionado com frequência sobre os assuntos que afetam a vida do cidadão piracicabano. Recentemente, a Câmara Municipal aprovou a nova planta genérica do município, após muitas críticas, principalmente, pela alta nos valores do IPTU. Como a senhora avalia a iniciativa do prefeito sobre essa questão? 
O prefeito de Piracicaba, Hélio Zanatta (PSD), enganou a população piracicabana durante a campanha eleitoral do ano passado, quando disse que não mexeria no IPTU e prometeu retirar, por exemplo, a taxa do esgoto cobrada pelo Semae e agora, diferente do que prometeu, enviou à Câmara de Vereadores Projeto de Lei Complementar 22/2025, realizando uma reforma tributária no município, que irá aumentar o IPTU para mais de 90% dos imóveis da cidade, sendo que para parcela significativa dos imóveis, o aumento será superior a 500%. Lamento que a votação deste projeto tenha se dado a toque de caixa, em pleno recesso parlamentar e entre o Natal e o Ano Novo, sem uma maior discussão com a sociedade, que é a maior interessada. Enfim, o prefeito Hélio Zanatta vai na contramão da política nacional, estabelecida pelo presidente Lula, que conseguiu retirar do Imposto de Renda os trabalhadores brasileiros que ganham até R$ 5 mil e reduzir o imposto para quem ganha até 7350,00 mensais. Estarei com a população piracicabana na luta para que esta proposta de aumento do IPTU não seja colocada em prática. Pode ter certeza que vai ter luta.

No  âmbito estadual, a senhora tem feito críticas recorrentes à condução da política educacional do governo estadual. Quais são, hoje, os principais pontos de retrocesso na educação pública paulista e o que a Assembleia Legislativa pode fazer, na prática, para revertê-los? 
São muitos. Começo pela gestão autoritária, que não respeita e desvaloriza os professores, mas também não respeita os estudantes e suas famílias. A chamada plataformização digital (que o Ministério Público proibiu a utilização obrigatória nas escolas) rebaixa a qualidade do ensino e tira do professor o protagonismo que ele precisa ter na sala de aula. A militarização das escolas é outro absurdo, assim como a tentativa de privatizar unidades escolares. Neste momento, ocorre o processo de atribuição de aulas para as professoras e os professores da rede estadual de ensino, processo esse totalmente bagunçado e repleto de erros e injustiças. A principal injustiça é a imposição de uma “avaliação de desempenho” subjetiva e punitiva, na qual até estudantes dão nota aos professores, fazendo com que professores efetivos, com muitos anos de magistério, não consigam uma escola para ministrar aulas, pois foram classificados como “farol vermelho” nesta avaliação de desempenho.

Professores e funcionários da rede estadual relatam sobrecarga de trabalho, baixos salários e instabilidade na atribuição de aulas. Que medidas concretas a senhora defende para garantir valorização profissional e condições dignas de trabalho? 
Em primeiro lugar, uma gestão que dialogue. Reivindicamos uma mesa de negociação permanente, mas o governo só a convoca para tentar impor seus projetos. Em segundo lugar, uma política salarial justa, que reponha a inflação e garanta ganho real todos os anos, assegurando o piso nacional e a progressão e evolução na carreira. Terceiro lugar, fim do autoritarismo e do assédio moral, inaceitáveis em ambiente educativo. É necessária também a realização de reformas nas escolas e construção de novas unidades, com novo projeto arquitetônico e, ainda, a aplicação da composição de jornada conforme prevê a lei do piso nacional, com no máximo 2/3 de aulas em classe e restante do tempo (para 40 horas semanais), para formação continuada, preparação de provas e trabalhos e outras atividades. E, não menos importante, a gestão democrática nas escolas, com conselhos de escola atuantes com participação de todos os segmentos da comunidade escolar.

Problemas no processo de atribuição de aulas têm gerado insegurança e prejuízos pedagógicos. Onde a senhora avalia que estão os principais erros desse modelo atual e qual seria a alternativa mais justa e eficiente? 
O primeiro erro foi o de tentar impor um processo online, que já se demonstrou muito pior que o presencial. Por nossa pressão, a SEDUC aceitou o presencial, “mediado por tecnologia”, porém, para desacreditar o processo, há erros grosseiros do sistema, lentidão, paralisações. Professores ficaram até altas horas da madrugada em algumas UREs. A alternativa justa e eficiente é realizar um processo presencial de fato, com um bom sistema, sem essa infinidade de regras feitas para prejudicar o professor e uma lista de classificação objetiva, como era no passado: tempo de serviço, provas (concursos), títulos (mestrado e doutorado) e pontos por cursos de formação. E ser respeitado o direito de escolha dos professores, não imposição das equipes gestoras da SEDUC.

Qual deve ser o papel da escola pública na redução dessas diferenças e que políticas públicas precisam ser prioridade para garantir permanência, aprendizagem e futuro aos estudantes mais vulneráveis? 
A escola pública é a base de tudo. Ela tem que ser bem financiada, bem equipada, gerida democraticamente pelo Conselho de Escola, com professores e funcionários concursados em número suficiente, respeitados e valorizados, redução do número de estudantes por classe e um projeto curricular e pedagógico que – respeitada a Base Nacional Comum Curricular, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e as demais legislações – dialogue com os problemas reais das comunidades. É assim que a escola irá preparar os estudantes para o exercício da cidadania, para a continuidade dos estudos e para uma vida profissional competente e bem remunerada, contribuindo para o desenvolvimento do estado e do país e reduzindo as desigualdades.

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