Muita gente não abre mão de usar sacolas e mais sacolas em suas compras. Vejo em supermercados alguns clientes colocando um ou dois itens em cada sacola, quando não colocam uma dentro da outra!
Vários estabelecimentos oferecem sacolas ecológicas a preços módicos, e elas podem ser reutilizadas muitas vezes, até por anos. Mas poucos as compram e preferem continuar a utilizar as plásticas sem critério algum. Gente que não deve estar preocupada com seus próprios filhos e netos, e com o planeta degradado que deixarão de herança para eles. Penso que desconhecem o fato de plásticos demorarem cerca de quatrocentos anos para se decompor no meio ambiente. Será que não imaginam que as milhares de sacolinhas plásticas utilizadas geram toneladas de lixo na natureza?
Hábitos ruins podem ser mudados. Tão fácil deixar algumas no carro e outras dobráveis na bolsa. As de pano são ótimas e podem ser higienizadas na máquina de lavar roupas. O importante é substituir as plásticas por qualquer produto durável. Já discuti em lojas cujos caixas queriam me obrigar a colocar minha compra em sacolas da loja. Numa delas foi preciso até chamar o gerente, e no fim, ele consentiu que eu colocasse a compra na minha própria sacola, o que o caixa não queria deixar.
Ninguém é obrigado a comprar sacola nenhuma, mas temos a obrigação de zelar pelo meio ambiente e não desperdiçar como muitos fazem.
Pesquisadores da Embrapa de São Carlos desenvolveram películas comestíveis que funcionam como plástico. De cores e sabores que incluem mamão, goiaba, espinafre e tomate, além de serem biodegradáveis, podem ser utilizadas no preparo dos alimentos. Dessa forma, uma pizza que esteja embalada com o material pode ir ao forno diretamente, assim como outros alimentos. A película pode, inclusive, ser utilizada como parte do tempero. Só que ainda não há prazo para que essa invenção chegue ao mercado. Enquanto isso não acontece, cada um tem que usar plásticos com consciência.
Na Europa existe uma exagerada preocupação com o lixo gerado pelas embalagens. Na maioria das lojas, não só supermercados, quem não leva sacola de casa tem que pagar pelas que utilizar. Esse método de “mexer no bolso” funciona muito bem. Tudo o que se oferece de graça, gera desperdício. Sacolinhas sempre foram péssimas para os lixeiros, pois é só enchê-las de lixo úmido que elas arrebentam e se desfazem e o conteúdo se espalha pelas ruas. E sacolas para embalar alimentos em casa não podem ser de material reaproveitado. Já os sacos de lixo pretos, geralmente feitos de material reciclado, são mais resistentes e têm capacidade de armazenar material de vários dias.
Estamos atrasados décadas, pois em outros países as pessoas já se conscientizaram da importância de gerar menos resíduos possível. Cada cliente tem que se virar para transportar suas compras levando as próprias sacolas reutilizáveis ou utilizando caixas de papelão, carrinhos de feira, cestas, o que sua imaginação inventar.
É claro que existem muitas outras formas de poluição e embalagens plásticas que precisam ser reavaliadas e produzidas com material menos poluente. Mas é nossa obrigação apoiar toda iniciativa que vise menos lixo no planeta. O plástico é um dos maiores vilões ambientais e das cerca de cem milhões de toneladas produzidas, 10% acaba indo para os oceanos, virando uma verdadeira sopa plástica que mata milhares de animais marinhos e aves.
Cada um tem que se esforçar e fazer a sua parte. Muito cuidado ao repassar campanhas da internet contra a erradicação das sacolas, orquestradas pela indústria do plástico. Procurem se informar antes de repassar qualquer mensagem.
Seus descendentes, a natureza e o planeta agradecem!
Ivana Maria França de Negri é escritora.