Após anos de silêncio, um casal decidiu relatar à polícia e à imprensa uma sequência de abusos que afirma ter sofrido em 2020. O principal acusado é o advogado João Paulo Leandro Mendes Mendonça Carrera, de 34 anos, atualmente preso no Distrito Federal por suspeita de participação em um homicídio associado a um suposto ritual satânico.
Os relatos indicam que as agressões ocorreram quando o casal e o advogado eram vizinhos, no Areal (DF). As vítimas tiveram os nomes alterados para preservar suas identidades.
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Bebida, apagão e dor ao acordar
Segundo o casal, tudo começou após aceitarem uma bebida oferecida pelo advogado em sua residência. Pouco tempo depois, ambos perderam completamente a consciência. A mulher relata ter despertado horas depois, já em casa, durante a madrugada, com fortes dores físicas e sem qualquer lembrança do que havia ocorrido.
O estranhamento aumentou quando ela percebeu dificuldades para se locomover e dores intensas, o que levantou a suspeita de violência sexual. O casal afirma que não havia histórico de reações semelhantes ao consumo de álcool, o que reforçou a desconfiança de que a bebida teria sido adulterada.
Socorro e silêncio prolongado
Durante o período em que os dois permaneceram desacordados, familiares acionaram o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, que realizou o atendimento de emergência. Ainda assim, por medo, vergonha e insegurança, a mulher optou por não denunciar o caso na época.
O silêncio durou anos. Segundo o relato, o temor de represálias e o choque emocional impediram que o casal buscasse ajuda imediata.
Vídeos e confissão mudaram o rumo do caso
A decisão de procurar a polícia só ocorreu após uma terceira pessoa revelar a existência de vídeos gravados pelo próprio advogado. As imagens, descritas como extremamente sensíveis, mostrariam as vítimas desacordadas e registrariam uma confissão do suspeito sobre os abusos cometidos.
O material foi entregue às autoridades. O conteúdo não foi divulgado publicamente em respeito às vítimas, mas se tornou peça-chave na investigação.
Comportamento intimidador após descoberta
Depois que o casal teve acesso às gravações, o comportamento do suspeito teria mudado. As vítimas relatam episódios de intimidação e insistência em manter contato, o que aumentou ainda mais o medo e a sensação de ameaça constante.
Foi apenas após a prisão do advogado, no fim de 2025, que a mulher afirma ter sentido algum alívio emocional, embora destaque que os traumas permanecem.
Prisão e ligação com ritual satânico
João Paulo está detido após ser apontado como suspeito no caso de um corpo carbonizado encontrado em dezembro de 2025, em uma área rural do Sol Nascente, no Distrito Federal. A Polícia Civil apura a motivação do crime, e uma das linhas de investigação considera a possibilidade de envolvimento em um ritual satânico.
De acordo com investigadores, o advogado possui cerca de 30 registros de ocorrências policiais. As apurações seguem em andamento, tanto em relação ao homicídio quanto às denúncias de abuso sexual.