Nas últimas semanas, os meios de comunicação vêm estampando grande número de notícias sobre casos de violência contra mulheres e de feminicídios. Lamentavelmente esta é uma realidade presente no Brasil há muitas décadas, mas a concentração de casos em pouco tempo assusta. E alerta: a sociedade não pode ficar omissa, muito menos as autoridades, os agentes públicos, formadores e formadoras de opinião, homens e mulheres que valorizam a vida.
Talvez o caso mais dolorosamente impactante ocorrido recentemente tenha sido o de Caso Tainara Souza Santos, uma mulher de 31 anos que foi perseguida, atropelada e arrastada por mais de um quilômetro por um carro dirigido por seu ex-companheiro na Marginal Tietê, na Zona Leste de São Paulo, em 29 de novembro. Tainara precisou amputar as duas pernas, teve que se submeter a diversas cirurgias, e não resistiu: morreu 25 dias após o bárbaro crime.
Há outros casos igualmente chocantes e não seria possível citar todos eles. De acordo com reportagem da Agência Brasil, “Dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) revelam que entre janeiro e outubro de 2025 foram registrados 53 casos de feminicídio na capital paulista. Este é o maior índice anual desde 2018 (início da série histórica), mesmo sem contabilizar ainda os dados de novembro e dezembro.
Desde janeiro deste ano, 207 mulheres foram mortas em todo o estado de São Paulo, vítimas de feminicídio. Apenas em outubro, foram 22 vítimas desse tipo de crime e outras 5.838 mulheres que sofreram lesão corporal dolosa.”
O crescimento contra as mulheres no estado de São Paulo ocorre no mesmo período em que o governo de Tarcísio de Freitas e sua secretária Valéria Bolsonaro vem demonstrando total descompromisso com o Enfrentamento à Violência Contra a Mulher, um programa estadual que executou apenas 70% do orçamento previsto, conforme reportagem do portal Brasil de Fato. Sun, ocorrem casos em outros estados do Brasil, mas a incidência no estado de São Paulo e realmente preocupante e o descaso do governo Tarcísio de Freitas precisa ser denunciado.
No dia 25 de dezembro, em Piracicaba, a jovem Pamela Garcia, de 29?anos, foi assassinada covardemente, também pelo ex-companheiro. Em 26 de dezembro, uma mulher desaparecida no Natal foi encontrada morta em Guarulhos, na Grande São Paulo, e o ex-companheiro é o principal suspeito. Na Zona Oeste de Recife, Pernambuco, um homem ateou fogo na casa onde morava sua ex-companheira e seus quatro filhos, que eram também filhos dele próprio, matando-os. E assim como esses casos, muitos outros vêm estampando os noticiários.
No início do mês de dezembro o presidente Lula declarou seu compromisso de lutar contra o feminicídio e toda forma de violência contra a mulher. E efetivamente seu governo tem se dedicado a garantir os direitos das mulheres e a desenvolver políticas contra a violência, por meio do Ministério das Mulheres. Também a sociedade não está inerte diante dessa questão. No dia 7 de dezembro, dezenas de milhares de homens e mulheres tomaram a Avenida Paulista, assim como espaços em outras capitais e grandes cidades, sob o slogan Queremos Todas Vivas. Foi um momento de grande importância, porém feminicídios continuam a ocorrer.
Nós, da APEOESP, assim como nosso mandato parlamentar na Assembleia Legislativa estamos engajados nesta luta. Por isso, será criada no nosso sindicato a Frente de Mulheres e Homens contra a Violência sobre a Mulher. Esta tem que ser uma causa de cada uma e cada de um de nós. Queremos todas vivas!
Professora Bebel é Deputada Estadual (PT) e segunda Presidente da APEOESP.